Ambev: cervejas sem álcool e premium impulsionam resultados no 3º trimestre

Destaques
- •Ambev registra lucro líquido ajustado de R$ 4,4 bilhões no 3º trimestre de 2026, alta de 14,3% na comparação anual.
- •Volumes de cervejas sem álcool cresceram 43% e premium 19% no Brasil, enquanto o volume total da Ambev avançou 0,5%.
- •Companhia busca consolidar portfólio de 'balanced choices' e expandir atuação digital com plataformas BEES e Zé Delivery.
A Ambev divulgou seus resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26), apresentando um lucro líquido ajustado de R$ 4,4 bilhões, o que representa um aumento de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo crescimento expressivo das cervejas premium e da linha sem álcool no mercado brasileiro.
No Brasil, os volumes de cervejas sem álcool registraram um avanço de 43%, enquanto as cervejas premium cresceram 19%. Em contrapartida, o volume total de cerveja da fabricante no país avançou apenas 0,5%, totalizando 21,673 milhões de hectolitros. Este número ficou abaixo da expansão de aproximadamente 4% registrada pela indústria cervejeira brasileira no período, segundo dados da Nielsen citados pela fabricante. Apesar disso, a companhia aponta ganhos sequenciais de participação de mercado ao considerar os últimos dois trimestres.
Cervejas premium e zero álcool em alta
A estratégia da Ambev de apostar em produtos de maior valor agregado e em opções para diferentes perfis de consumo tem se mostrado eficaz. O portfólio de “balanced choices”, que inclui cervejas com menos calorias, carboidratos e versões sem álcool, mais que dobrou de volume no Brasil. Marcas como Stella Pure Gold quase triplicaram suas vendas, e a Michelob Ultra cresceu mais de cinco vezes. O segmento tradicional, conhecido como “mainstream”, apresentou retração.
A categoria Wellness, que reúne produtos sem glúten, com menos calorias e com baixo ou zero teor alcoólico, teve alta de 157% em volume. A Michelob Ultra cresceu 478% e a Stella Pure Gold avançou 195% em comparação ao 3º trimestre de 2025.
Receita e rentabilidade sob pressão
A receita líquida da operação brasileira de cerveja cresceu 4,8%, para R$ 10,1 bilhões. O Ebitda ajustado da divisão atingiu R$ 3,543 bilhões, com alta reportada de 4,4%, mas crescimento orgânico de apenas 1%. A margem Ebitda ajustada ficou em 34,9%, com retração de 1,3 ponto porcentual em termos orgânicos.
A rentabilidade foi pressionada pelo aumento de 5,4% no custo por hectolitro, reflexo das pressões sobre os preços de commodities e da composição do portfólio. As despesas com vendas, gerais e administrativas cresceram 9,2%, diante de maiores investimentos em vendas, marketing e distribuição.
Outras operações e plataformas digitais
Fora do mercado cervejeiro, a operação brasileira de bebidas não alcoólicas voltou a crescer em volume, com avanço de 3,6% e alta de 6,3% na receita líquida. O portfólio de bebidas sem açúcar cresceu dois dígitos, impulsionado pelo Guaraná e pela família PepsiCo.
As plataformas digitais da companhia também apresentaram crescimento. A plataforma BEES registrou alta de 83% no GMV (valor total das vendas) e está presente em mais de 1 milhão de pontos de venda. O Zé Delivery, aplicativo de entregas, teve crescimento de 16% no valor total das vendas e conecta a empresa a cerca de 27 milhões de consumidores por ano.



