Alberta rejeita independência e permanece no Canadá por 3 para 1

Destaques
- •Referendo em Alberta resultou em rejeição esmagadora da independência, com 3 de cada 4 eleitores optando por permanecer no Canadá.
- •Apesar da derrota, mais de meio milhão de eleitores apoiaram uma votação vinculante sobre a secessão, indicando a persistência do movimento separatista.
- •O futuro do movimento separatista em Alberta e a possibilidade de focarem em outras questões, como imigração, serão acompanhados de perto.
Os resultados preliminares do referendo em Alberta, no Canadá, indicaram uma rejeição definitiva à ideia de independência da província. Por uma margem de 3 para 1, os eleitores optaram por permanecer no Canadá, negando a possibilidade de uma segunda votação vinculante sobre a secessão.
Apesar da derrota expressiva, o ativista separatista Jeffrey Rath considerou o resultado uma conquista para um movimento político incipiente. Cerca de um quarto dos eleitores, mais de 500.000 albertanos, manifestaram o desejo por uma nova votação, o primeiro passo em direção à independência.
O que acontece com o movimento separatista?
O cientista político Dr. Jared Wesley, da Universidade de Alberta, avalia que, embora o separatismo tenha sido rejeitado, o grupo de mais de meio milhão de eleitores que apoiaram um plebiscito vinculante não desaparecerá. Ele sugere que esses eleitores podem direcionar seus esforços para outras causas.
Wesley aponta que o separatismo albertano é parte de um movimento populista de extrema-direita mais amplo no Canadá, comparando-o ao movimento MAGA nos Estados Unidos. Ele prevê que o movimento se adaptará e buscará outros temas, como a imigração, para se fortalecer.
Outras questões na cédula
O referendo sobre independência não foi a única questão na cédula. Cinco referendos não vinculantes sobre imigração também foram realizados, incluindo a proposta de a província ter maior controle sobre o tema e exigir comprovante de cidadania para votar. Os resultados não oficiais indicam que todos foram aprovados.
O movimento separatista tem sido associado a figuras políticas de direita nos Estados Unidos, o que, segundo alguns analistas, pode ter gerado desconfiança no Canadá. O fundador do Alberta Independence Party, Cory Morgan, acredita que a proximidade com a política americana e as ameaças do presidente Donald Trump de anexar o Canadá prejudicaram o crescimento do movimento.
Repercussão e próximos passos
Jeffrey Rath, no entanto, rejeita essa análise, considerando suas reuniões com o governo Trump úteis para consolidar apoio americano. Ele minimiza as preocupações sobre as interações de alto nível, atribuindo-as à "Trump derangement syndrome" no Canadá.
Outros movimentos separatistas no Canadá parecem ter adotado uma postura mais cautelosa. O Parti Quebecois, do Quebec, anunciou que não realizará um referendo de independência enquanto Trump for presidente, citando o medo da anexação pelos Estados Unidos como um fator limitante.
Jared Wesley concorda que a relação com os Estados Unidos esteve em primeiro plano na mente dos eleitores. Cory Morgan, apesar de acreditar que o movimento independentista não está pronto para uma nova grande investida, considera os 500.000 votos obtidos um bom ponto de partida para o futuro.
Matérias originais
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