Abacaxi de Porto Grande (AP) é reconhecido como patrimônio cultural e IG

Destaques
- •O abacaxi de Porto Grande, no Amapá, foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do estado e obteve o registro de Indicação Geográfica (IG) em 2024.
- •O registro de IG, concedido pelo INPI, valorizou a fruta, com o preço médio dobrando de R$ 2,50 para R$ 5.
- •A Associação de Produtores de Abacaxi de Porto Grande busca soluções como geleias e frutas desidratadas para evitar desperdício e estuda exportação.
O abacaxi de Porto Grande, no Amapá, alcançou em 2024 o reconhecimento como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado e obteve o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O Sebrae atuou como parceiro dos produtores na estruturação e capacitação para a obtenção desse registro, que visa proteger e valorizar produtos associados a uma origem geográfica específica.
A modalidade de Indicação de Procedência foi a escolhida para o abacaxi de Porto Grande, sendo o primeiro produto do Amapá a receber tal reconhecimento. Segundo Suel de Araújo Diniz, presidente da Associação de Produtores de Abacaxi de Porto Grande, o registro contribuiu significativamente para a valorização da fruta. Ele relatou que o preço de venda da unidade dobrou, passando de R$ 2,50 para R$ 5.
Valorização e desafios da produção
A Associação de Produtores de Abacaxi de Porto Grande, fundada em 2022, conta atualmente com 32 membros. A variedade cultivada é o abacaxi pérola, conhecido por sua doçura, característica atribuída ao clima ensolarado do Amapá. A localização estratégica do estado é vista como um diferencial para o cultivo.
A produção estimada para 2026 é de 5 milhões de abacaxis, um volume considerado expressivo para o município de Porto Grande, que possui cerca de 18.000 habitantes. Para lidar com o excedente e evitar desperdícios, a associação tem investido na produção de derivados como geleias, melaço de casca e abacaxi desidratado.
Perspectivas e logística de exportação
A exportação da fruta é um objetivo em estudo pela associação, mas a logística apresenta desafios. O abacaxi de Porto Grande tem uma vida útil de, no máximo, 25 dias, o que limita o alcance para mercados distantes sem comprometer a qualidade. A associação busca soluções para superar essa barreira.
A exploração de petróleo na Margem Equatorial também é vista como um fator de desenvolvimento para o Amapá. A descoberta pela Petrobras no poço Morpho, a 175 km da costa do estado, reforça as expectativas de um novo ciclo econômico. O Sebrae Amapá, por meio de sua diretora-superintendente Alciene Cavalcante, destaca o impacto positivo para pequenas empresas, que podem se beneficiar dos encadeamentos produtivos com as grandes companhias do setor. A qualificação profissional e a obtenção de certificações são apontadas como essenciais para que os negócios locais aproveitem as oportunidades.
O governador eleito do Amapá, Dr. Furlan, também manifestou o desejo de que o estado seja protagonista na futura cadeia produtiva do petróleo, com a instalação de bases e a geração de empregos locais. A prioridade é preparar a infraestrutura, incluindo a conclusão da pavimentação da BR-156 e a modernização do Porto de Santana, para receber as atividades ligadas à exploração.
Matérias originais
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