Afya e Yduqs anunciam fusão e buscam R$ 1 bilhão em novas receitas

Destaques
- •Fusão entre Afya e Yduqs mira criação de um dos maiores grupos de educação do país, com foco em medicina.
- •Empresa projeta sinergias de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões em eficiência e custos, com potencial de R$ 1 bilhão adicional em novas receitas.
- •Aprovação concorrencial do Cade é esperada em 9 a 12 meses, com planos de novas aquisições e diversificação de negócios.
A Afya e a Yduqs anunciaram a fusão de seus negócios, visando criar um dos maiores grupos de educação do Brasil, com liderança consolidada no ensino de medicina. A operação busca replicar o sucesso de fusões bem-sucedidas e superar a desconfiança do mercado após uniões que não entregaram o valor esperado, como os casos da Arezzo com Grupo Soma e da Hapvida com NotreDame Intermédica.
A nova companhia, que ainda depende de aprovações regulatórias, como a do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), tem um plano de integração liderado por 13 executivos. O objetivo é gerar valor para os acionistas através de sinergias e novas linhas de receita. As projeções iniciais indicam ganhos de eficiência e redução de custos na ordem de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões, com 80% desse montante esperado em até três anos.
Potencial de Novas Receitas e Diversificação
Além das sinergias de custo, a Afya revelou um potencial de geração de receita adicional de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão, segundo o CEO Virgílio Gibbon. Essa projeção, ainda não considerada um guidance oficial, abrange a expansão de ofertas em cursos de saúde, como enfermagem, em polos da Yduqs, e o crescimento na área de educação continuada (lifelong learning), como cursos de preparação para residência e pós-graduação.
A incorporação do Ibmec, escola de negócios da Yduqs, abre caminho para MBAs e cursos de formação executiva. Outra frente promissora é a de soluções para a prática médica, como plataformas de conteúdo com uso de IA, a exemplo do Whitebook. O modelo de negócios visa construir um ecossistema completo para o médico ao longo de sua carreira, aproveitando a base de 508 mil médicos cadastrados na Afya.
Ambição de Consolidação e Impacto no Mercado
O CEO da Afya, Virgílio Gibbon, indicou que o novo grupo pretende se tornar um agente de consolidação no setor de educação, com novas aquisições que vão além da medicina. Essa ambição de diversificação de negócios é vista como uma avenida de crescimento ainda não precificada pelo mercado.
A fusão envolve troca de ações, com a futura empresa na bolsa brasileira tendo 69% de capital da Afya e 31% da Yduqs. Desde o anúncio, as ações da Afya subiram 8,5% na Nasdaq e as da Yduqs avançaram 29% na B3. A expectativa é que a nova ação tenha um aumento significativo na liquidez, podendo chegar a 14 vezes o patamar atual, com a entrada em índices amplos como o Ibovespa.
Próximos Passos e Expectativas
A expectativa é que todas as aprovações necessárias, incluindo a do Cade, sejam concluídas em um prazo de 9 a 12 meses. A Afya busca provar ao mercado que fusões de grande porte podem, de fato, gerar e até superar as promessas de valor para os acionistas, aprendendo com os erros do passado.


