Ações de varejo sofrem com juros altos e câmbio; exportadoras ganham espaço

Destaques
- •Ações de varejo acumulam queda de 33% após eleições, com múltiplos em mínimas históricas.
- •Empresas exportadoras e com receitas em dólar, como Embraer e Suzano, tornam-se favoritas.
- •Itaú BBA atualiza carteira, trocando ações de varejo e financeiras por saneamento e energia.
A forte correção das ações de varejo após o segundo turno das eleições presidenciais reacendeu o debate entre investidores sobre o futuro do setor. Com juros futuros em alta, dólar mais forte e receios fiscais, os papéis de empresas ligadas ao consumo doméstico acumulam queda de aproximadamente 33%, devolvendo os ganhos obtidos durante a disputa eleitoral e negociando abaixo dos níveis pré-eleitorais. O múltiplo médio do setor caiu para cerca de 6,5 vezes lucro projetado para 2027, ante uma mediana histórica de 15 vezes, segundo o BTG Pactual.
O principal risco apontado por analistas do BTG Pactual e Bradesco BBI é a perspectiva de juros elevados por mais tempo. Um ambiente de incerteza fiscal, câmbio depreciado e inflação persistente pressiona simultaneamente o lucro das empresas e seus múltiplos de negociação. O BTG estima que cada aumento de 100 pontos-base na Selic poderia reduzir o lucro líquido esperado para 2027 em cerca de 10% no Assaí (ASAI3), 8% no Magazine Luiza (MGLU3) e 4% na Pague Menos (PGMN3).
Vencedoras em cenário adverso
Apesar do cenário de cautela, analistas veem algumas companhias capazes de crescer mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. O Bradesco BBI destaca Mercado Livre (Nasdaq: MELI; BDR: MELI34) e Smart Fit (SMFT3) como as principais recomendações, pois ambas geram mais da metade de seu EBITDA fora do Brasil e têm menor dependência do consumo doméstico.
O Goldman Sachs avalia que a forte correção abriu oportunidades seletivas em alguns nomes do varejo e consumo, com ações negociando com múltiplos significativamente abaixo dos observados nos últimos anos. O banco recomenda Mercado Livre (Nasdaq: MELI; BDR: MELI34), RD Saúde (RADL3), Assaí (ASAI3) e Smart Fit (SMFT3), que combinam crescimento acima da média e maior capacidade de atravessar um ambiente macroeconômico mais difícil.
Exportadoras ganham protagonismo
Em contrapartida, a disparada do dólar e a forte abertura da curva de juros após as eleições presidenciais têm levado analistas a reverem suas visões sobre ações. Empresas com receitas dolarizadas e menor exposição ao ciclo doméstico, como Suzano (SUZB3), Gerdau (GGBR4), Aura Minerals (AURA33) e Vale (VALE3), ganham protagonismo. A XP Investimentos destaca a Suzano como principal beneficiária do “fator cambial”, enquanto Gerdau e Vale combinam receitas internacionais com menor exposição aos riscos da economia brasileira.
A Embraer (EMBJ3) continua sendo uma das preferidas, com receitas em dólar, carteira de pedidos robusta e crescimento consistente. A WEG (WEGE3) também ganha atratividade com o real mais fraco, sendo classificada como um “hedge cambial natural” devido à elevada exposição internacional. O Morgan Stanley promoveu uma rotação para empresas exportadoras, privilegiando nomes como Petrobras (PETR4), Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3), PRIO (PRIO3), WEG (WEGE3), Vale (VALE3) e JBS.
Itaú BBA atualiza carteira
O Itaú BBA adotou uma postura mais conservadora para a Bolsa brasileira após a derrocada do Ibovespa (IBOV) no pós-eleições. Mesmo com o valuation considerado atrativo, os estrategistas avaliam que o cenário macroeconômico ainda limita espaço para uma nova reprecificação dos ativos. O principal índice da Bolsa brasileira recuou 13,9% na segunda-feira após o resultado eleitoral, a maior queda diária desde março de 2020.
A estratégia do banco combina ativos defensivos, companhias domésticas com potencial de retorno por meio de dividendos e recompras, empresas com oportunidades de reinvestimento e exportadoras. O Itaú BBA excluiu ações como Equatorial (EQTL3), Bradesco (BBDC4), Direcional (DIRR3), BTG Pactual (BPAC11) e Gerdau (GGBR4) da carteira Brazil Buy List. Foram incluídas Sabesp (SBSP3), CPFL Energia (CPFE3), Cury (CURY3), XP (XPBR31) e WEG (WEGE3).
Matérias originais
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