Acidente grave na Espanha: Colisão de trens deixa ao menos 68 mortos

Destaques
- •Colisão entre trens de alta velocidade em Castilla-La Mancha resulta em 68 mortos e 108 feridos.
- •Falha no sistema de sinalização LZB e possível erro humano são apontados como causas.
- •Investigação promete apurar responsabilidades e o governo decreta três dias de luto nacional.
Um grave acidente ferroviário na Espanha, ocorrido na região de Castilla-La Mancha, deixou ao menos 68 mortos e 108 feridos. A colisão envolveu dois trens de alta velocidade, um da empresa privada Iryo, com 152 passageiros, e outro da estatal Renfe, com cerca de 400 pessoas a bordo. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, prometeu que a investigação sobre o ocorrido "irá até o fim" e que eventuais negligências serão apuradas. Sánchez declarou que "toda a Espanha está de luto" e classificou o acidente como inaceitável, especialmente por ocorrer menos de um ano após outra tragédia ferroviária que deixou 46 mortos.
Falha no sistema de sinalização e possível erro humano
Segundo o ministro dos Transportes, Óscar Puente, o sistema de segurança ferroviária LZB (Linienzugbeeinflussung) apresentou uma falha por volta das 8h30 no horário local. Esse sistema é responsável por transmitir informações sobre as condições da via ao maquinista e monitorar a velocidade dos trens, podendo acionar os freios automaticamente. Com a falha, a circulação passou a depender de procedimentos alternativos.
O trem da Iryo parou em um sinal vermelho. Poucos minutos depois, o centro de controle da infraestrutura ferroviária autorizou o trem da Renfe a retomar a marcha, apesar da sinalização ainda impedir a circulação. Puente classificou essa decisão como "errada" e "inexplicável". O trem da Renfe percorreu cerca de 25 quilômetros até atingir a traseira do trem da Iryo. As circunstâncias dessa autorização e as causas exatas do acidente ainda não foram estabelecidas, mas as primeiras informações apontam para um possível erro humano.
Operações de resgate e luto nacional
As equipes de emergência trabalharam intensamente entre os destroços para resgatar possíveis sobreviventes e identificar as vítimas. Três guindastes de grande porte foram utilizados para içar vagões danificados. O acesso ao local, próximo à estação de Urda, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri, é dificultado por pequenas estradas de terra. Há relatos de estrangeiros entre as vítimas, e as autoridades entraram em contato com embaixadas de diversos países.
O governo espanhol decretou três dias de luto nacional, de quinta-feira (29) a sábado (31). O acidente de Urda é o mais mortal na Espanha desde 2013, quando um descarrilamento perto de Santiago de Compostela deixou 80 mortos.
Segurança ferroviária em debate e impacto eleitoral
A tragédia ocorre a um mês das eleições legislativas de 29 de novembro e já impactou a campanha eleitoral, com os principais partidos suspendendo suas atividades. A Espanha possui a segunda maior rede de alta velocidade do mundo, com quase 4 mil quilômetros de trilhos. O acidente reacende o debate sobre a manutenção da infraestrutura e a segurança dos passageiros, especialmente após o acidente de janeiro.
O ministro Óscar Puente descartou a possibilidade de renunciar ao cargo, apesar da gravidade do ocorrido, e garantiu que o sistema ferroviário espanhol é "seguro". A investigação deverá esclarecer todos os pontos que levaram à colisão e determinar as responsabilidades.
Matérias originais
- Espanha: investigação apura falha de sinalização e possível erro humano em acidente ferroviário · operamundi.uol.com.br



