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Acidente ferroviário na Espanha deixa 69 mortos e 110 feridos

29 de outubro de 2026
Acidente ferroviário na Espanha deixa 69 mortos e 110 feridos

Destaques

  • •Colisão entre trens de alta velocidade em Castilla-La Mancha resulta em 69 mortes e 110 feridos.
  • •Falha no sistema de sinalização LZB e possível erro humano são apontados como causas do acidente.
  • •Governo espanhol decreta luto nacional e inicia investigação para apurar responsabilidades.

Um grave acidente ferroviário na região de Castilla-La Mancha, na Espanha, deixou ao menos 69 mortos e 110 feridos após a colisão entre dois trens de alta velocidade. O incidente ocorreu na quarta-feira (28) e envolveu um trem da empresa privada Iryo, com 152 passageiros, e outro da estatal Renfe, que transportava cerca de 400 pessoas. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou o ocorrido como inaceitável e prometeu que a investigação irá "até o fim" para apurar eventuais negligências, declarando que "toda a Espanha está de luto". Uma brasileira está entre os feridos, com estado de saúde não grave, segundo o Itamaraty.

Falha no sistema de sinalização e possível erro humano

Segundo o ministro dos Transportes, Óscar Puente, o sistema de segurança ferroviária LZB (Linienzugbeeinflussung) apresentou uma falha por volta das 8h30 no horário local. Esse sistema é crucial para transmitir informações sobre as condições da via ao maquinista e monitorar a velocidade, podendo acionar os freios automaticamente. Com a falha, a circulação passou a depender de procedimentos alternativos.

O trem da Iryo parou em um sinal vermelho. Poucos minutos depois, o centro de controle da infraestrutura ferroviária autorizou o trem da Renfe a retomar a marcha, apesar da sinalização ainda impedir a circulação. Puente classificou essa decisão como "errada" e "inexplicável". O trem da Renfe percorreu cerca de 25 quilômetros até atingir a traseira do trem da Iryo. As circunstâncias dessa autorização e as causas exatas do acidente ainda não foram estabelecidas, mas as primeiras informações apontam para um possível erro humano.

Operações de resgate e luto nacional

Equipes de emergência trabalharam intensamente entre os destroços para resgatar possíveis sobreviventes e identificar as vítimas. Três guindastes de grande porte foram utilizados para içar vagões danificados. O acesso ao local, próximo à estação de Urda, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri, é dificultado por pequenas estradas de terra. Há relatos de estrangeiros entre as vítimas, e as autoridades entraram em contato com embaixadas de diversos países.

O governo espanhol decretou três dias de luto nacional, de quinta-feira (29) a sábado (31). O acidente de Urda é o mais mortal na Espanha desde 2013, quando um descarrilamento perto de Santiago de Compostela deixou 80 mortos. Mais de 800 militares e policiais, além de veículos e drones, foram mobilizados para a operação de resgate.

Segurança ferroviária em debate e impacto eleitoral

A tragédia ocorre a um mês das eleições legislativas de 29 de novembro e já impactou a campanha eleitoral, com os principais partidos suspendendo suas atividades. A Espanha possui a segunda maior rede de alta velocidade do mundo, com quase 4 mil quilômetros de trilhos. O acidente reacende o debate sobre a manutenção da infraestrutura e a segurança dos passageiros, especialmente após outra tragédia ferroviária em janeiro.

O ministro Óscar Puente descartou a possibilidade de renunciar ao cargo, apesar da gravidade do ocorrido, e garantiu que o sistema ferroviário espanhol é "seguro". Um juiz em Toledo proibiu o acesso ao local do acidente, estabelecendo uma área de exclusão de 2 km ao longo da linha ferroviária. A investigação deverá esclarecer todos os pontos que levaram à colisão e determinar as responsabilidades.

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