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Ação popular pede suspensão de verbas públicas para Flávio Bolsonaro no exterior

31 de outubro de 2026
Ação popular pede suspensão de verbas públicas para Flávio Bolsonaro no exterior

Destaques

  • •Advogados entram com ação popular para interromper pagamentos de subsídios a Flávio Bolsonaro.
  • •Senador fugiu para os EUA após perder eleição e decisão do STF sobre passaportes.
  • •Marco Rubio (EUA) nega envolvimento na fuga, mas confirma autorização de Trump para entrada no país.

Dois advogados entraram com uma ação popular na 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro pedindo a interrupção de todos os pagamentos de subsídios e verbas públicas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A medida surge após o parlamentar ter fugido para os Estados Unidos na última terça-feira (27), após perder a eleição presidencial e ser obrigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF).

Os autores da ação, Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma, argumentam que a permanência de Flávio Bolsonaro no exterior inviabiliza o exercício de seu mandato, causa lesão ao erário e fere a moralidade administrativa. Segundo eles, a continuidade dos pagamentos de salário, verba de gabinete, auxílio-moradia e cota parlamentar (CEAPS) para o senador, que declarou publicamente que liderará a oposição ao governo a partir do exterior, configura desvio de finalidade dos recursos do Senado Federal.

Fuga para os EUA e negação de envolvimento americano

Flávio Bolsonaro chegou a Miami, nos EUA, na quarta-feira (28), acompanhado de sua esposa e filhas. Sua saída do Brasil ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes e proibir sua saída do país, no âmbito de uma investigação. O senador nega irregularidades e afirma ser vítima de perseguição.

Em contrapartida, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo de Donald Trump tenha facilitado ou participado dos preparativos para a fuga do senador brasileiro. Rubio afirmou que os EUA foram informados da chegada de Flávio ao país, que ele já possuía um visto, e que o presidente Trump tomou a decisão de permitir sua entrada.

“Não facilitamos nada. Soubemos que ele chegou aos EUA, ele já tinha um visto garantido e o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse, mas não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos para ele sair do País”, declarou Rubio. Ele acrescentou que o presidente Trump havia deixado claro que, caso o senador chegasse a um ponto oficial de entrada nos Estados Unidos, receberia um parole — autorização temporária para entrar no país.

Relatos divergem sobre o apoio americano

A versão de Marco Rubio contrasta com reportagens de veículos como o The New York Times e o The Wall Street Journal, que indicam o envolvimento de assessores de Donald Trump e autoridades americanas na organização da viagem. Segundo essas publicações, Jason Miller, assessor de comunicação de Trump, teria ajudado a organizar o avião particular utilizado pelo senador. A Reuters também informou que Rubio recomendou a Trump a autorização de entrada do senador, e que funcionários do Departamento de Estado discutiram com o Departamento de Segurança Interna (DHS) a modalidade legal para permitir a entrada.

O jornal argentino Clarín relatou que a fuga de Flávio Bolsonaro envolveu a mobilização de seis carros para dificultar a identificação do veículo que o levaria até a fronteira com a Argentina, além de jatos particulares como alternativa. O plano inicial de fretar um avião de Brasília a Foz do Iguaçu teria sido cancelado após a ordem judicial.

Próximos passos e repercussão

A ação popular que pede a suspensão das verbas públicas para Flávio Bolsonaro foi distribuída para a 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A Agência Brasil informou que está tentando contato com a assessoria do parlamentar para obter um posicionamento.

O caso adiciona um ponto de atrito às relações entre Brasil e Estados Unidos, que já enfrentavam divergências após a eleição presidencial brasileira e a não formalização do reconhecimento da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva pelo governo Trump. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e Marco Rubio concordaram em se reunir nas próximas semanas para tratar da agenda bilateral.

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