13º Salário: Especialistas orientam sobre uso para dívidas ou consumo

Destaques
- •Economistas e planejadores financeiros recomendam cautela com o 13º salário, alertando contra o endividamento em um cenário de juros altos.
- •Dívidas com juros elevados, como cartão de crédito rotativo (442,4% ao ano), devem ser prioridade, superando promoções de Black Friday.
- •O planejamento financeiro deve incluir despesas de início de ano, reservas para imprevistos e consumo consciente, evitando um novo ciclo de endividamento.
Com a chegada do 13º salário em novembro, muitos brasileiros enfrentam o dilema entre aproveitar as promoções da Black Friday e do Natal ou usar o dinheiro para quitar dívidas e organizar as finanças para o próximo ano. Especialistas em finanças e economistas alertam para a necessidade de planejamento e cautela, especialmente em um cenário de juros elevados e orçamentos apertados, onde um deslize pode ter consequências financeiras significativas.
Dívidas: Prioridade em cenário de juros altos
A maior parte das famílias brasileiras possui algum tipo de dívida, com o comprometimento da renda aumentando em setembro. Para quem está endividado, especialmente com juros que ultrapassam 442,4% ao ano no cartão de crédito rotativo, a quitação dessas obrigações é vista como o melhor investimento. Planejadores financeiros como Heraldo Fonseca destacam que nenhuma promoção de fim de ano compensa o custo de manter dívidas com taxas tão elevadas.
A recomendação é clara: antes de pensar em presentes ou em novas compras, é fundamental avaliar o custo das dívidas existentes. Para Guilherme Casagrande, educador financeiro, o 13º pode fortalecer a posição do consumidor em negociações com credores, buscando descontos para pagamento à vista.
Planejamento para o início de ano e consumo consciente
Apesar da urgência em quitar dívidas caras, os especialistas ressaltam que gastar todo o 13º salário apenas com débitos pode ser um erro. É crucial reservar recursos para as despesas previstas para janeiro, como impostos (IPTU, IPVA), material escolar e outras contas sazonais. A economista Mara Bernardes aconselha calcular as despesas futuras, prever imprevistos e estabelecer um limite para gastos de Natal antes de destinar o restante para dívidas.
O planejamento deve considerar o orçamento completo, não apenas o saldo disponível. Para quem não possui dívidas com juros altíssimos, preservar liquidez para as despesas de início de ano e consumir de forma planejada pode ser a melhor alternativa. A estratégia envolve definir o que realmente é necessário, acompanhar preços e evitar compras por impulso.
Como usar o 13º salário: Ordem de prioridades
A ordem de prioridade sugerida pelos especialistas converge para a organização financeira. Primeiro, quitar dívidas caras ou atrasadas. Em seguida, separar dinheiro para as contas de janeiro e formar uma reserva de emergência. Somente após essas etapas, destinar recursos para o consumo planejado.
A primeira parcela do 13º salário deve ser paga até 30 de novembro, e a segunda até 20 de dezembro. É importante lembrar que a segunda parcela sofre os descontos de INSS e Imposto de Renda, sendo geralmente menor. Planejar os gastos com base no valor líquido é essencial para evitar compromissos financeiros baseados em expectativas equivocadas.
O objetivo final, segundo Casagrande, não é apenas começar o ano com menos dívidas, mas construir condições para não voltar a se endividar. O 13º salário, portanto, deve ser uma ferramenta para alívio financeiro duradouro, e não uma fonte de novas parcelas a pagar.
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