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Willer Tomaz possui cinco outras casas em ilhas de Angra dos Reis

31 de outubro de 2026
Willer Tomaz possui cinco outras casas em ilhas de Angra dos Reis

Destaques

  • •Advogado Willer Tomaz, investigado no STF, detém cinco propriedades adicionais em ilhas de Angra dos Reis, além da que gerou disputa com o jogador Richarlison.
  • •As aquisições ocorreram entre 2021 e 2022, período em que o senador Flávio Bolsonaro apresentou projetos de lei para flexibilizar regras em Angra e permitir a privatização de ilhas.
  • •A SPU, sob o governo Bolsonaro, agiu com celeridade em processos favoráveis a empresas ligadas a Tomaz, enquanto processos de outros ocupantes tiveram andamento mais lento.

O advogado Willer Tomaz, investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) em conjunto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeitas de lavagem de dinheiro, possui outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Essas propriedades se somam àquela que se tornou alvo de disputa com o jogador de futebol Richarlison.

As aquisições da maioria das casas ocorreram entre 2021 e 2022. Esse período coincide com a apresentação de projetos de lei por Flávio Bolsonaro no Senado Federal. Um deles visava estimular empreendimentos em Angra, permitindo a municipalização de unidades de conservação, e o outro, a PEC das Praias, propunha a privatização de ilhas marítimas pertencentes à União. Ambas as propostas ainda estão em tramitação.

Investimentos em Angra e Propostas Legislativas

Os planos para a região de Angra dos Reis remontam ao governo de Jair Bolsonaro, que em 2019 expressou o desejo de transformar a cidade em uma "nova Cancún", criticando a Estação Ecológica de Tamoios por, em sua visão, não preservar e impedir o desenvolvimento turístico.

Pela Constituição Federal, as ilhas são bens da União, passíveis de ocupação mediante processos registrados na Secretaria de Patrimônio da União (SPU). A SPU tem a prerrogativa de revisar essas ocupações.

Willer Tomaz não se manifestou sobre eventuais projetos comerciais em suas ilhas ou sua relação com as propostas legislativas de Flávio Bolsonaro. O senador também não foi localizado para comentar o assunto.

Detalhes das Propriedades e Disputa com Richarlison

As casas adquiridas por empresas de Willer Tomaz estão localizadas na Ilha Comprida e na Ilha do José André. Os valores patrimoniais registrados variam de R$ 2,1 milhões a R$ 23,7 milhões. Uma sexta casa, na Ilha do Jorge, tem cotas pertencentes a uma empresa ligada a Tomaz.

A disputa pela atenção pública ocorreu em torno de uma casa na Ilha Comprida, envolvendo Richarlison. O jogador acusou Flávio Bolsonaro de envolvimento na briga pelo imóvel, alegando ter investido R$ 10 milhões no local desde 2020. Segundo Richarlison, o senador teria se aliado a Tomaz para obter os direitos sobre o imóvel após ele recusar uma venda.

Análises dos processos na SPU indicam que a empresa de Richarlison solicitou a regularização da ocupação em setembro de 2021, sem andamento. Em contrapartida, um processo de regularização iniciado por uma empresa terceirizada para a casa de Tomaz em maio de 2022 teve andamento célere, culminando na emissão de uma Certidão de Autorização para Transferência (CAT) no mesmo dia do pedido.

Um servidor ouvido pela reportagem apontou a celeridade incomum em um caso e a falta de análise em outro como pontos controversos, especialmente considerando que a SPU estava subordinada ao governo Bolsonaro em 2022.

Investigação e Próximos Passos

Em virtude da disputa e das acusações, parlamentares adversários de Flávio Bolsonaro solicitaram ao STF a inclusão do caso da ilha de Richarlison no inquérito que já apura as relações entre o senador e Willer Tomaz. O ministro Alexandre de Moraes é o relator.

Willer Tomaz sustenta que Richarlison adquiriu a posse do imóvel sem pagar à proprietária de direito. Ele apresenta escritura registrada, certidão da SPU e decisões judiciais favoráveis.

Em relação a um projeto de resort de luxo na Ilha do José André, Tomaz apresentou um pedido ao Inea do Rio de Janeiro em março de 2026, no mesmo dia em que o então governador Cláudio Castro publicou um decreto que revogava planos de manejo de áreas de proteção ambiental. O decreto foi posteriormente derrubado e o empreendimento de Tomaz não avançou.

A PEC das Praias, após aprovação na Câmara em 2022, aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Em setembro de 2024, a SPU manifestou-se contrária à aprovação da PEC, alertando para o risco de grilagem da costa brasileira.

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