Vivo avalia compra da Vero para expandir banda larga fixa no Sul e Sudeste

Destaques
- •Telefônica Brasil (Vivo) negocia aquisição da Vero, operadora de banda larga fixa com 1,3 milhão de clientes.
- •Negócio visa fortalecer presença da Vivo no Sul e Sudeste e pode ser porta de saída para gestoras de private equity controladoras da Vero.
- •A Vero enfrenta perda de assinantes e endividamento elevado, enquanto a Vivo possui caixa confortável e busca crescimento inorgânico.
A Telefônica Brasil, dona da Vivo, está em negociações para adquirir a Vero, uma das maiores operadoras de banda larga fixa do país. A informação foi confirmada por fontes próximas às tratativas, que indicam a contratação de assessores para conduzir o processo. Embora ainda não haja um acordo formal assinado, as conversas estão em andamento e sinalizam um movimento de consolidação no setor de telecomunicações.
O mercado de banda larga fixa no Brasil é considerado saturado, o que tem levado operadoras de médio e grande porte a buscar crescimento por meio de fusões e aquisições. A estratégia visa ganhar escala, reduzir endividamento e otimizar operações através de sinergias. Recentemente, a Claro comprou a Desktop, a Brasil Tecpar está adquirindo a Ligga, e há discussões sobre a combinação de negócios entre Giga Mais e Sky.
Dificuldades da Vero e atratividade para a Vivo
A Vero, que atua em 425 cidades nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, tem enfrentado desafios recentes. A empresa perdeu 64 mil assinantes neste ano, impactada pela forte concorrência e por uma política mais rigorosa na análise de crédito e corte de inadimplentes. Atualmente, a Vero conta com 1,3 milhão de clientes.
A operadora é controlada pelas gestoras de investimentos Vinci Compass e Warburg Pincus, que detêm juntas 60% da companhia. Originalmente planejada para abrir capital na bolsa, a Vero viu suas chances diminuírem com a instabilidade do mercado. A fusão com a Americanet, em 2023, foi uma tentativa de fortalecer a posição. A venda para a Vivo representaria uma saída estratégica para as gestoras de private equity, que buscam concluir seus investimentos.
O endividamento da Vero é outro ponto crítico. A dívida líquida atingiu R$ 3 bilhões, com uma alavancagem de 3,3 vezes em relação ao Ebitda anualizado. A maior parte dessa dívida está em debêntures com vencimentos crescentes a partir de 2025, o que pressiona o fluxo de caixa da empresa. Em outubro, a agência de classificação de risco S&P rebaixou a perspectiva do rating da Vero de estável para negativa, citando a perda de clientes, cortes no faturamento e dificuldades em cumprir métricas de alavancagem.
Vantagens estratégicas e próximos passos
Para a Vivo, a aquisição da Vero seria uma oportunidade de reforçar sua presença nas regiões Sudeste e Sul, áreas de forte disputa com concorrentes como a Claro e provedores locais. Embora o negócio seja considerado relevante, ele não representaria uma mudança estrutural para a Vivo, que já possui uma base sólida de 8,2 milhões de acessos em banda larga por fibra ótica e um caixa confortável, com alavancagem de apenas 1 vez.
A potencial aquisição, no entanto, depende da aprovação da controladora espanhola, o Grupo Telefónica, que tem o governo espanhol como acionista. O grupo anunciou um plano para reduzir sua dívida e aumentar a eficiência global até 2030. A decisão dos acionistas sobre aumentar a exposição no Brasil ou priorizar dividendos será crucial.
A Vivo declarou que "avalia constantemente oportunidades de mercado e investimentos alinhados com a sua estratégia", enquanto a Vero optou por não comentar. A negociação ocorre em um cenário de consolidação do setor, com outras operadoras buscando expandir suas operações através de aquisições.
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- Vivo negocia compra da Vero, provedora de banda larga · estadao.com.br



