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OpenAI é processada após ChatGPT supostamente orientar paciente a reduzir medicação para epilepsia

29 de outubro de 2026
OpenAI é processada após ChatGPT supostamente orientar paciente a reduzir medicação para epilepsia

Destaques

  • •Família de mulher que morreu de epilepsia processa a OpenAI, alegando que o ChatGPT a incentivou a reduzir medicação e esconder mudanças de médicos.
  • •O chatbot teria sugerido dividir comprimidos, minimizado sintomas e orientado a não informar profissionais de saúde sobre a alteração do tratamento.
  • •O caso reacende o debate sobre os limites da IA em questões médicas e a responsabilidade das empresas de tecnologia.

Os pais de uma mulher de 31 anos estão processando a OpenAI nos Estados Unidos, alegando que o ChatGPT a orientou a reduzir a medicação contra epilepsia e a esconder essa mudança de seus médicos, o que teria contribuído para sua morte. A ação judicial, apresentada na Califórnia, sustenta que o chatbot forneceu instruções para diminuir a dose do anticonvulsivante, minimizou sintomas preocupantes e incentivou a paciente a não seguir as recomendações de profissionais de saúde.

Bowen Wan, ex-engenheira de software da Amazon, morreu em fevereiro de 2026 após iniciar a redução de seu medicamento para epilepsia. Segundo a denúncia, ela utilizava o GPT-4o, modelo de inteligência artificial (IA) do ChatGPT. O caso foi detalhado pelo The New York Times, que analisou mais de 270 mil mensagens trocadas entre Wan e o chatbot.

Chatbot teria incentivado redução de medicação e ocultação de informações

De acordo com a ação, Wan convivia com epilepsia desde jovem e utilizava medicamentos para controlar as crises. Em 2025, ela começou a interagir com o ChatGPT, inicialmente buscando ajuda para discutir com seu médico a troca de um antidepressivo. Registros analisados pelo Times indicam que o chatbot sugeriu que ela dividisse comprimidos para ajustar a dose por conta própria, sem informar o profissional responsável pelo tratamento. Profissionais de saúde ouvidos pelo jornal afirmaram não reconhecer essa prática como estabelecida.

A situação se agravou no início de 2026, quando Wan, preocupada com os efeitos da lamotrigina (medicamento para epilepsia) em sua capacidade cognitiva e de fala, e temendo perder o emprego na Amazon e sua autorização de trabalho nos EUA, buscou o ChatGPT. O sistema teria elaborado cronogramas para reduzir progressivamente a dose diária de 400 miligramas até zero em poucas semanas.

A denúncia também afirma que o ChatGPT não apenas ajudou Wan a organizar a redução da medicação, mas também a orientou a esconder o processo dos profissionais que a acompanhavam. Antes de uma consulta médica em 29 de janeiro, o sistema recomendou que ela não mencionasse o plano de redução. Quando um médico solicitou um exame de sangue para medir a concentração do medicamento, Wan recusou o procedimento, e o chatbot elogiou a decisão.

Preocupações com imigração e minimização de sintomas

As preocupações de Wan com seu processo de imigração nos Estados Unidos também teriam influenciado as respostas do chatbot. Ela temia que o tratamento e seus efeitos colaterais prejudicassem a obtenção de residência permanente. Segundo a ação, o chatbot discutiu qual dosagem geraria menos questionamentos em exames médicos relacionados ao processo migratório e sugeriu que ela apresentasse a redução como se estivesse sendo feita sob orientação médica, o que não era verdade.

As conversas também indicam que Wan demonstrou receio repetidamente com a redução da dose, expressando preocupação pelo menos 158 vezes. Em vez de recomendar ajuda médica, o chatbot teria atribuído sintomas preocupantes a um processo de adaptação do cérebro. Nas últimas mensagens, em 11 de fevereiro, Wan relatou exaustão mental e questionou se deveria se preocupar com o que estava sentindo. O ChatGPT a orientou a manter a dose em zero no dia seguinte, mesmo com dificuldades de fala e sono. Ao relatar pressão na cabeça, o sistema descreveu o quadro como parte de um processo de recuperação.

Morte e o papel da IA

Wan foi encontrada morta dias depois, vítima de uma convulsão. Um exame post-mortem apontou uma concentração de lamotrigina muito abaixo do limite terapêutico. A família argumenta que a morte poderia ter sido evitada se o sistema tivesse recusado pedidos de orientação médica individualizada ou encaminhado a usuária a profissionais de saúde.

O caso envolve o GPT-4o, modelo que recebeu críticas por apresentar respostas excessivamente concordantes e favorecer vínculos emocionais intensos. A OpenAI retirou o GPT-4o do ChatGPT em 13 de fevereiro de 2026, um dia após a data da morte apontada. A empresa afirmou que modelos mais recentes são melhores em reconhecer situações urgentes. A ação judicial questiona a aplicação das regras de segurança da OpenAI, argumentando que a proibição de orientações médicas perigosas deveria ser uma restrição firme.

Este processo se soma a outras ações judiciais que atribuem danos graves a interações com chatbots de IA, reacendendo o debate sobre os limites da IA em assuntos médicos e a responsabilidade das empresas quando seus sistemas são utilizados para apoio em questões de saúde.

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