Vendas de bares e restaurantes sobem 9,9% no 3º trimestre; varejo alimentar avança com fim das bets

Destaques
- •Setor de bares e restaurantes registra crescimento anual de 9,9% no terceiro trimestre de 2026, impulsionado pela força do mercado de trabalho.
- •Varejo alimentar apresenta recuperação em outubro, com alta de até 7,9% em faturamento, atribuída pela Abras e Abad à proibição das apostas esportivas (bets).
- •Acompanhar o impacto da possível mudança na escala de trabalho 6x1 no setor de bares e restaurantes e a consolidação do crescimento do varejo alimentar.
As vendas de bares e restaurantes no Brasil registraram um crescimento de 9,9% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este resultado reforça um ciclo de expansão do setor que já dura mais de um ano, demonstrando resiliência mesmo diante de sinais pontuais de desaceleração. Em setembro, o avanço anual foi ainda mais expressivo, atingindo 10,8%, segundo o Índice Abrasel-Stone.
Apesar do desempenho positivo no acumulado do trimestre, os dados apontaram uma leve retração de 0,3% em setembro em relação a agosto de 2026, indicando uma possível acomodação no ritmo de crescimento. Segundo Guilherme Freitas, economista da Stone, o setor é sustentado pela geração de renda e pelo baixo nível de desemprego, que mantêm o consumo das famílias aquecido. Ele ressalta que a alimentação fora do lar continua sendo uma despesa prioritária para os brasileiros.
Mercado de trabalho e prioridade do consumidor sustentam o setor
A consolidação da atividade do setor ao longo de mais de 12 meses comprova que a alimentação fora do lar se mantém como uma escolha prioritária para os consumidores, com um movimento homogêneo em todo o país, segundo Freitas. O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, também destaca o mercado de trabalho aquecido e a circulação de recursos na economia como fatores de benefício para o setor.
Contudo, Solmucci alerta para a pequena retração de setembro em relação ao mês anterior, que pode sinalizar uma perda de fôlego da atividade econômica. Ele também expressou preocupação com a implementação do fim da escala de trabalho 6x1, que, sem tempo adequado para adaptação, pode elevar custos, comprometer a capacidade produtiva e afetar o nível de atividade e o emprego.
Expansão disseminada e impacto da proibição das bets no varejo
O levantamento da Abrasel-Stone mostrou que todos os 24 estados analisados registraram crescimento nas vendas em setembro na comparação anual, com destaque para Roraima (+26,3%), Rondônia (+22,0%) e Sergipe (+20,6%). Nas maiores economias, o Rio de Janeiro avançou 12,3%, Minas Gerais 10,3% e São Paulo 6,8%. A região Norte liderou o crescimento regional em setembro, com alta de 18,2%.
Em paralelo, as vendas do varejo alimentar brasileiro apresentaram recuperação em outubro, com crescimento de 6,9% em faturamento e 1,8% em volume na semana de 12 a 18 de outubro, segundo o NIQ Monitor. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) atribuem esse desempenho à assinatura da medida provisória que proibiu as apostas esportivas (bets) no Brasil no final de setembro. O presidente da Abras, João Galassi, afirmou que o fim das bets resultou em aumento do consumo nos lares brasileiros.
Canais de venda e cestas de produtos em destaque
O canal Atacarejo se destacou no varejo alimentar em outubro, com crescimento de 8,1% em faturamento e 2,9% em unidades vendidas. Hipermercados (+6,9%) e supermercados de grande porte (+6,6%) também apresentaram bons resultados em faturamento. Na análise regional, o Sul liderou o crescimento do faturamento alimentar, com avanço de 8,4%.
Entre as cestas de produtos, Bebidas (+10,8% em faturamento), Limpeza (+10,3%) e Higiene e Beleza (+7,8%) foram os principais destaques. Bebidas energéticas tiveram crescimento de 50,3% em faturamento e 41,8% em unidades. Por outro lado, categorias como Eletrônicos (-2%) e café em pó (-17,8% em valor) registraram retração.



