Urna eletrônica completa 30 anos com foco em sustentabilidade e resiliência climática

Destaques
- •Sistema de votação eletrônica no Brasil completa três décadas, com redução significativa no uso de papel.
- •Até 98% dos materiais das urnas eletrônicas são reciclados, com mudanças no projeto para facilitar o reaproveitamento.
- •TSE monitora riscos climáticos para garantir logística das eleições de 2026.
Há 30 anos, o Brasil introduziu a urna eletrônica, revolucionando o processo eleitoral com votação e apuração mais rápidas. O sistema, pioneiro em larga escala, evoluiu ao longo das décadas não apenas em tecnologia, mas também em sustentabilidade, visando reduzir impactos ambientais, especialmente no descarte e reciclagem dos equipamentos.
Antes de 1996, as eleições dependiam de cédulas de papel e apuração manual, que podia levar até 15 dias em grandes centros. A informatização da apuração começou em 1994, mas foi em 1996 que a urna eletrônica foi utilizada por uma parcela do eleitorado. Em 2000, o Brasil realizou sua primeira eleição totalmente informatizada.
Redução do consumo de papel e impacto ambiental
A substituição das cédulas de papel resultou em uma economia estimada de 13,5 mil toneladas de papel ao longo de 30 anos. Segundo Júlio Valente, secretário de Tecnologia da Informação do TSE, a agilidade proporcionada pela informatização diminuiu a pegada ambiental das eleições, pois todo o processo se tornou mais rápido. No entanto, a avaliação completa do impacto ambiental também considera os recursos usados na fabricação, transporte, funcionamento e descarte das urnas.
Uma urna eletrônica tem vida útil de cerca de 12 a 15 anos, podendo ser utilizada em seis ou sete eleições. A decisão de substituí-la considera seu funcionamento e a necessidade de manter a confiabilidade do processo eleitoral.
Reciclagem e reaproveitamento de materiais
Quando uma urna é considerada imprópria para uso, ela passa por um descarte ambientalmente adequado. Encaminhadas a empresas especializadas, são desmontadas e descaracterizadas. Os componentes são separados e triturados para serem reaproveitados em outros processos industriais. Os contratos firmados pela Justiça Eleitoral exigem um índice mínimo de 95% de reciclagem, com procedimentos recentes alcançando até 98%.
A parcela restante, de 2% a 5%, é destinada a aterros sanitários certificados. O reaproveitamento de materiais reduz a necessidade de extração de novos recursos naturais e os impactos associados à produção de novos equipamentos.
Mudanças no projeto e desafios climáticos
A preocupação com a sustentabilidade influenciou o desenvolvimento das urnas. Nas primeiras versões, alguns componentes dificultavam a reciclagem. O TSE passou a incorporar critérios ambientais, como a substituição de adesivos plásticos por inscrições em alto-relevo e a padronização de materiais nas teclas para facilitar o reaproveitamento.
Além da sustentabilidade, a Justiça Eleitoral considera os efeitos das mudanças climáticas. Eventos extremos como secas e enchentes podem afetar o transporte dos equipamentos e o acesso aos locais de votação. Para as eleições de 2026, o TSE criou a Sala Nacional de Situação Climática para monitorar condições ambientais e planejar contingências. As urnas são projetadas para resistir a variações de temperatura entre -20 °C e 85 °C, mas os desafios logísticos exigem monitoramento antecipado.
Três décadas após sua implantação, a urna eletrônica continua em aperfeiçoamento, combinando agilidade na votação com critérios ambientais em todo o ciclo de vida do equipamento.
Matérias originais
- Urna eletrônica completa 30 anos com avanços na sustentabilidade das eleições · www12.senado.leg.br



