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Unicamp e Princeton lançam plataforma para políticas climáticas no Brasil

08 de novembro de 2026

Destaques

  • •Nova ferramenta digital de código aberto, NetZero Brasil 2050, foi desenvolvida por cientistas brasileiros e americanos.
  • •Plataforma integra dados de energia, uso da terra e macroeconomia para simular rotas de descarbonização de menor custo.
  • •A ferramenta será expandida para escala municipal, permitindo que gestores locais planejem estratégias climáticas.

Cientistas das universidades de Campinas (Unicamp) e Princeton (EUA) desenvolveram o NetZero Brasil 2050, uma plataforma digital pública e de código aberto que visa facilitar a formulação de políticas climáticas no Brasil. A ferramenta cruza dados georreferenciados de demanda energética, uso da terra e macroeconomia para simular cenários de neutralidade de carbono até 2050, calculando as rotas de descarbonização de menor custo para o país.

A plataforma foi apresentada em 28 de outubro pela professora Carla Kazue Nakao Cavaliero, da Unicamp, durante a Fapesp Week Países Baixos. O sistema permite que gestores públicos, acadêmicos e organizações da sociedade civil cruzem dados de 39 parâmetros setoriais para desenhar estratégias de transição energética transparentes e baseadas em evidências. A iniciativa, construída com apoio de instituições não-governamentais e da Fapesp, busca democratizar o uso de ferramentas avançadas de previsão.

Modelagem integrada para descarbonização

O diferencial do NetZero Brasil 2050 está na integração de 8 ferramentas de simulação que conectam oferta e demanda de energia a mudanças no uso do solo e impactos macroeconômicos. Ao manipular 39 parâmetros em setores como transporte, indústria, edificações, agropecuária, energia e resíduos, a plataforma utiliza modelos de otimização matemática. Um modelo estima as demandas futuras de energia, enquanto outro, desenvolvido em cooperação com Princeton, encontra a configuração de menor custo econômico para suprir essa demanda, considerando restrições de emissões e potenciais regionais de fontes como solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde.

Posteriormente, modelos calibrados para o Brasil a partir de ferramentas internacionais informam a alocação otimizada de culturas, pastagens e florestas, além de distribuir áreas agrícolas e sistemas de preparo do solo. Módulos dedicados ao transporte, agropecuária e gestão de resíduos, juntamente com um modelo de insumo-produto da Unicamp, mapeiam as interdependências econômicas e calculam impactos na geração de empregos e no PIB setorial. A plataforma também projeta o investimento necessário ano a ano para atingir a neutralidade.

Da escala estadual à municipal

Atualmente, o NetZero Brasil 2050 apresenta resultados consolidados em escala estadual para as 27 unidades federativas. A equipe de pesquisadores está trabalhando na expansão para a escala municipal, o que permitirá que prefeitos e secretários identifiquem a contribuição específica de suas cidades para as metas climáticas nacionais. A ferramenta utiliza dados georreferenciados e está sendo calibrada com informações do MapBiomas para aumentar a precisão.

A transição para a escala municipal possibilitará que gestores locais fundamentem políticas de incentivo à mobilidade elétrica, eficiência energética ou conservação, podendo até assumir metas mais ambiciosas. A plataforma funciona de forma comparativa, permitindo filtrar e cruzar cenários pré-construídos ou gerar simulações inéditas, auxiliando na inserção do município no contexto nacional.

Ecossistema de inovação e cooperação internacional

A criação do NetZero Brasil 2050 se insere em um ecossistema de inovação da Unicamp, que atua como um laboratório vivo em escala urbana com projetos de energia solar, iluminação LED, ônibus elétricos e a primeira microrrede universitária da América Latina, gerando economia anual de R$ 15 milhões. A universidade também avança na implantação do Hub Internacional de Desenvolvimento Sustentável.

O projeto integra uma rede global coordenada por Princeton, com plataformas semelhantes já desenvolvidas para outros países. A expectativa é expandir a cooperação com instituições neerlandesas para absorver conhecimentos em rotas tecnológicas de hidrogênio e gestão de laboratórios vivos. Segundo Cavaliero, interconectar dados de diferentes países em plataformas integradas oferece uma visão ampla e evita que a descarbonização penalize economias em desenvolvimento.

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