Homens são acusados nos EUA de esquema de fraude com deepfakes de US$ 129 milhões

Destaques
- •Três homens foram acusados nos Estados Unidos de um esquema internacional de fraude que utilizou deepfakes e falsas identidades para desviar ao menos US$ 129 milhões.
- •O golpe simulava comunicações de executivos e advogados para convencer funcionários a transferir dinheiro para negócios fictícios, convertendo os valores em criptomoedas.
- •Os acusados, presos na Espanha e no Reino Unido, enfrentam acusações de fraude eletrônica, roubo de identidade e lavagem de dinheiro, com pedidos de extradição pendentes.
Três homens foram acusados nos Estados Unidos de participar de um esquema internacional de fraude que utilizou deepfakes de executivos e falsas identidades de advogados para desviar pelo menos US$ 129 milhões (cerca de R$ 710 milhões) de hospitais, bancos e outras empresas. A denúncia, apresentada pelo Departamento de Justiça dos EUA, aponta o uso de inteligência artificial para imitar vozes e, em alguns casos, a aparência de dirigentes das organizações.
Segundo os promotores, a operação visava funcionários autorizados a realizar grandes transferências financeiras. Por meio dos deepfakes, os suspeitos simulavam comunicações de executivos e convenciam os profissionais a enviar dinheiro para supostos negócios confidenciais, que na realidade não existiam. O esquema teria atingido milhares de empresas em diferentes países, e os valores obtidos eram convertidos em criptomoedas.
Como funcionava o golpe
A abordagem geralmente começava com um e-mail que aparentava ter sido enviado pelo presidente da empresa, solicitando ajuda para uma transação sigilosa. Em um dos casos, o contato incluía um acordo de confidencialidade para dar credibilidade à operação. Após a comunicação inicial, os funcionários eram direcionados a conversas telefônicas ou chamadas de vídeo com um falso advogado.
Com o uso de recursos de inteligência artificial, os criminosos conseguiam reproduzir características da voz e, em determinadas situações, da aparência dos executivos, criando deepfakes para sustentar a fraude. O falso advogado explicava os detalhes da suposta operação e orientava os funcionários sobre as contas para as quais o dinheiro deveria ser transferido. Os criminosos priorizavam profissionais das áreas contábil e financeira com autorização para aprovar pagamentos de valores elevados.
Vítimas e prejuízos
Os promotores não divulgaram os nomes das organizações atingidas, mas detalharam alguns dos prejuízos. Em novembro de 2024, uma rede de hospitais do Missouri teria perdido aproximadamente US$ 4,83 milhões. No mesmo mês, um banco de Rhode Island sofreu um prejuízo estimado em US$ 2,68 milhões. Outro caso envolve uma rede hospitalar da Califórnia, que teria transferido cerca de US$ 2,97 milhões em dezembro de 2024.
Uma empresa britânica de tecnologia financeira teria perdido aproximadamente US$ 11,58 milhões em março de 2025. A lista de supostas vítimas também inclui uma empresa de fundos de investimento de Massachusetts (US$ 4,64 milhões em abril de 2025) e uma fabricante de ração da Flórida (US$ 5,24 milhões em junho do mesmo ano). Nem todas as tentativas tiveram sucesso; em outubro de 2024, um funcionário de um banco de investimento de Nova York autorizou um pagamento de aproximadamente US$ 2,85 milhões, mas a transferência foi interrompida pela equipe operacional.
Acusados e próximos passos
Os acusados são Jacob Soall, Sharon Hazan e Guy Sheetrit. Soall e Hazan foram presos na Espanha, em 17 de junho e 5 de agosto, respectivamente. Sheetrit foi detido no Reino Unido em 7 de setembro. Segundo a acusação, Soall era responsável por se passar pelo advogado, enquanto Hazan e Sheetrit teriam participado da lavagem do dinheiro. Hazan já havia sido condenado em 2008 por conspiração para cometer fraude bancária.
Cada um dos três homens responde a sete acusações, incluindo fraude eletrônica, roubo de identidade e lavagem de dinheiro. Os pedidos de extradição para os Estados Unidos ainda estão pendentes. Os acusados são considerados inocentes até que a culpa seja comprovada judicialmente.
Matérias originais
- Como criminosos usaram rostos falsos para desviar mais de R$ 700 milhões · olhardigital.com.br



