Lenovo detalha tecnologia que viabiliza transmissões da Fórmula 1

Destaques
- •A Lenovo, parceira global de tecnologia da Fórmula 1, opera uma infraestrutura complexa que processa até 650 terabytes de dados por fim de semana de corrida.
- •A empresa utiliza hardware comercial de prateleira e processamento em borda (edge computing) para garantir análises em milissegundos, com independência da infraestrutura local dos autódromos.
- •Aprendizados da pista, como edge computing e resfriamento líquido, são aplicados em soluções para o mercado corporativo na América Latina.
A Lenovo, parceira global de tecnologia da Fórmula 1, é a responsável por uma complexa operação de TI que sustenta a transmissão de corridas e o processamento de dados em tempo real. A estrutura percorre 24 corridas por temporada, transmitindo até 650 terabytes de dados brutos em um único fim de semana de evento.
Valério Mateus, gerente-geral de Serviços e Soluções da Lenovo na América Latina, explicou os bastidores dessa operação, destacando o que torna o circuito de Interlagos especial do ponto de vista de TI e como os aprendizados da pista são aplicados no mercado corporativo da região.
A arquitetura invisível da F1
Em cada circuito, a Lenovo implementa um Centro Técnico de Eventos. Este centro é conectado por aproximadamente 65 quilômetros de fibra óptica a servidores compactos que processam dados localmente. Essa abordagem de processamento na borda (edge computing) permite entregar análises de telemetria em milissegundos para a direção de prova e engenheiros, sem depender de servidores remotos.
O volume de dados gerado em cada pista é massivo, chegando a 650 terabytes por fim de semana. Para garantir a integridade e a transmissão desses dados para o centro de operações no Reino Unido, são utilizados dois links ópticos redundantes de 10 Gbps, que percorrem rotas fisicamente separadas.
“Tudo isso funciona com hardware comercial de prateleira, o mesmo que oferecemos aos nossos clientes corporativos. A resiliência não depende de protótipos de laboratório, mas de arquitetura inteligente e equipamentos confiáveis”, afirma Mateus.
Logística e eficiência aprimoradas
A logística da operação também passou por uma transformação significativa. Em 2019, o transporte da infraestrutura exigia 14 contêineres de Boeing 747. Atualmente, são apenas 3 contêineres, graças à virtualização e à substituição de servidores tradicionais por modelos mais compactos, sem comprometer o desempenho.
O calendário da F1 impõe um ritmo acelerado: o hardware é instalado na terça-feira, testado na quinta e opera de sexta a domingo. Sete horas após a corrida, o equipamento é desmontado, embalado e enviado para o próximo destino. A área de serviços da Lenovo opera com suporte 24/7, incluindo peças de reposição e equipes técnicas que acompanham o calendário global.
Independência e controle total
Um dos aspectos mais notáveis da operação é a sua independência em relação à infraestrutura de cada circuito. A Fórmula 1 não utiliza a rede elétrica, o sistema de refrigeração ou a conectividade local dos autódromos. Em vez disso, leva seus próprios geradores, nobreaks e plantas de refrigeração.
O único requisito dos locais é uma superfície plana, água, esgoto e pontos de telecomunicação. A instabilidade climática de São Paulo, por exemplo, com variações entre calor intenso e chuva forte, não afeta a operação interna, que funciona sob condições controladas independentemente do local.
Inovações com IA e sustentabilidade
A inteligência artificial (IA) está integrada em diversas camadas da operação. Os AI PCs da Lenovo, equipados com processadores neurais, proporcionaram ganhos de performance de cerca de 30% em relação a máquinas convencionais, acelerando a geração de análises entre as sessões de corrida.
Na transmissão, testes com tecnologias de IA foram realizados para identificar e corrigir problemas em quadros de vídeo em tempo real. Para suportar esse processamento de alta densidade sem aumentar o consumo de energia, o centro de operações utiliza resfriamento líquido Neptune, que consome até 40% menos energia em refrigeração.
O compromisso da F1 com a neutralidade de carbono até 2030 também se reflete na gestão de hardware. O programa de recuperação de ativos da Lenovo garante a destruição certificada de dados e destina mais de 95% do material para reaproveitamento ou reciclagem, gerando retorno financeiro através do valor residual das máquinas antigas para subsidiar a aquisição de novos equipamentos.
O valor da pista para o mercado
Valério Mateus ressalta que cada corrida funciona como uma vitrine para o mercado corporativo. As dificuldades enfrentadas na pista, como sistemas legados, infraestruturas distribuídas e conectividade instável, são as mesmas que um CIO de banco, varejo ou manufatura na América Latina pode enfrentar.
O edge computing, que permite a operação autônoma de um circuito, pode ser aplicado em linhas de montagem industrial ou hospitais. O resfriamento líquido, que suporta servidores de alta densidade na F1, é oferecido como solução para empresas que buscam implementar projetos de IA sem impactar a conta de energia. “As dores são as mesmas. O que muda é o autódromo”, conclui Mateus.



