Ucrânia usa gasodutos abandonados como túneis para guerra subterrânea
Destaques
- •Soldados ucranianos utilizam antiga rede de gasodutos para se deslocar e combater na linha de frente, fugindo de drones.
- •A tática, que remonta à Primeira Guerra Mundial, permitiu uma operação tática bem-sucedida perto de Kupiansk, desacelerando o avanço russo.
- •A Ucrânia estuda expandir o uso do subsolo para logística militar e conexão de postos avançados.
No leste da Ucrânia, perto de Kupiansk, soldados ucranianos transformaram uma rede de gasodutos abandonados em um centro logístico e de transporte subterrâneo, uma tática que o país considera o futuro da guerra moderna. O uso do subsolo oferece refúgio contra drones, que dominam o campo de batalha na superfície, permitindo que as tropas se desloquem, recebam suprimentos e até mesmo realizem operações de combate em segurança.
A rede de dutos, que antes transportava gás natural entre a Ucrânia e a Rússia, agora serve como um labirinto subterrâneo onde soldados passam semanas. Com menos de 1,2 metro de diâmetro, os tubos forçam os militares a se moverem agachados ou em pequenos veículos elétricos, enfrentando o forte cheiro residual de gás e a constante ameaça de drones na superfície.
O Futuro da Guerra Subterrânea
A estratégia de levar a guerra para o subsolo foi impulsionada pela proliferação de drones de vigilância e ataque. Para se locomover entre posições na linha de frente, soldados ucranianos utilizam os gasodutos, que oferecem um caminho mais seguro do que os campos abertos, alvos preferenciais dos drones. A rede de dutos, com cerca de 130 quilômetros na região de Kupiansk, permite o transporte de tropas, suprimentos essenciais e a retirada de feridos.
O uso de túneis e dutos em conflitos remonta à Primeira Guerra Mundial, mas a Ucrânia adaptou essa tática à guerra moderna. A dificuldade reside em tornar esses espaços habitáveis e funcionais, como a instalação de sistemas de ventilação, uma tarefa complexa que os militares ucranianos conseguiram superar.
Operação Tática em Kupiansk
As forças russas foram as primeiras a explorar os dutos industriais abandonados na região. No final de 2025, tropas russas usaram esses túneis para se infiltrar em Kupiansk. Em resposta, o Corpo Khartia, uma unidade ucraniana, planejou sua própria operação subterrânea. Eles buscaram mapas dos dutos e consultaram engenheiros aposentados que haviam construído a rede.
Durante a primeira incursão, soldados ucranianos encontraram forças russas dentro de um duto. Após um intenso tiroteio, os ucranianos conseguiram encurralar os russos abrindo uma saída, cavando um túnel para um duto paralelo e reemergindo atrás das posições inimigas. Segundo o coronel Volodymyr Lysiuk, subcomandante do Corpo Khartia, dezenas de russos foram mortos e vários prisioneiros foram capturados.
O presidente Volodymyr Zelensky e analistas militares consideraram a operação um sucesso tático, que ajudou a defender Kupiansk e desacelerou o avanço russo. Essa ação levou a Ucrânia a considerar a expansão do uso do subsolo para a guerra.
Logística e Próximos Passos
A Ucrânia já transferiu parte de sua produção militar e logística para estruturas subterrâneas. As autoridades militares também estão avaliando os custos para construir uma rede de túneis que conecte melhor postos de observação, estoques de suprimentos e unidades de apoio na retaguarda. A experiência em Kupiansk demonstrou a viabilidade e a eficácia dessa estratégia.
A vida dentro dos dutos é árdua. Soldados se movem em pequenos veículos elétricos, enfrentando o cheiro de gás e a poeira. Centros logísticos subterrâneos operam 24 horas por dia, transportando munição e alimentos durante o dia e terra retirada dos túneis à noite. A proximidade com a linha de frente, conhecida como “linha zero”, significa que bombardeios russos na superfície podem causar tremores no subsolo.
Apesar dos desafios, a guerra subterrânea se consolida como uma tática essencial para a Ucrânia, oferecendo uma vantagem estratégica crucial em um campo de batalha dominado pela tecnologia de drones.



