Turistas israelenses em Itacaré causam conflitos e denúncias de violência

Destaques
- •Aumento de turistas israelenses na Bahia gera tensões e acusações de comportamento agressivo e discriminatório.
- •Tentativa de destruição de mural pró-Palestina e relatos de importunação sexual e racismo levam a investigações.
- •Ativistas cobram providências do governo federal para controle de entrada de estrangeiros e reciprocidade diplomática com Israel.
O aumento expressivo da presença de turistas israelenses em Itacaré, no litoral sul da Bahia, tem gerado conflitos com moradores locais e uma onda de denúncias de violência, racismo e comportamentos agressivos. A tensão atingiu um novo patamar com a tentativa de destruição de um mural pró-Palestina, que fazia parte de uma intervenção artística realizada em 30 de outubro na parede de um casarão histórico da cidade.
A intervenção artística, que incluía uma melancia gigante – símbolo de solidariedade à Palestina –, foi autorizada pelo proprietário do imóvel, que havia alugado o espaço para israelenses. Segundo a ativista Mariá Veiga, integrante da Frente Palestina Sul da Bahia, um grupo de israelenses tentou destruir o painel. Posteriormente, o proprietário solicitou a remoção das pinturas, o que, segundo Veiga, acabou se tornando uma nova forma de denúncia.
Conflitos e denúncias em Itacaré e Salvador
Além do episódio do mural, outros incidentes têm sido relatados. Uma jovem moradora de Salvador foi importunada sexualmente e xingada por turistas israelenses. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) informou que está acompanhando os relatos de hostilidades em Itacaré, Morro de São Paulo e Salvador, e que os casos estão sob investigação da Polícia Civil.
A SJDH também anunciou ações de prevenção e capacitação no setor turístico para combater práticas discriminatórias. A ativista Mariá Veiga defende que a solução para o problema passa por uma operação conjunta entre os governos federal, estadual e municipais para garantir segurança e coibir o que ela chama de turismo predatório.
Aumento do turismo e mudança de perfil
O interesse de israelenses por Itacaré e Morro de São Paulo existe há anos, impulsionado por uma série de TV local. No entanto, o perfil dos turistas mudou significativamente nos últimos dois anos, especialmente após outubro de 2023. Segundo relatos, há uma injeção maior de dinheiro, possivelmente ligada ao serviço militar, e um estímulo do governo israelense para que jovens passem um período no exterior após o alistamento.
A estimativa é que o número de turistas israelenses tenha saltado de cerca de 800 a 900 por verão para aproximadamente 4 mil no ano passado, com previsão de mais de 7 mil para o próximo. Esses turistas chegam com mais recursos, criam espaços próprios, organizam festas e compram terras, estabelecendo estruturas voltadas exclusivamente para eles. Isso contrasta com o perfil anterior de jovens com menos dinheiro que dividiam acomodações.
Racismo, desrespeito e o papel do poder público
As denúncias incluem casos de racismo, como o de uma mulher negra que teve o nariz quebrado após pedir a um grupo de turistas que parasse de destruir um jardim comunitário. Relatos mencionam xingamentos em hebraico, casas devolvidas destruídas, falta de educação em restaurantes e desrespeito à cultura local. A ativista também aponta para um caso de neocolonialismo, com a alteração de símbolos locais em banners.
Moradores progressistas temem perder o emprego ao se manifestar, e a própria Mariá Veiga registrou boletins de ocorrência por ameaças. A ativista defende que o poder público, incluindo o governo federal, deve agir. Ela cobra reciprocidade diplomática com Israel, questionando a facilidade com que israelenses entram no Brasil em comparação com os procedimentos para brasileiros que desejam visitar Israel.
A solução, segundo Veiga, envolve uma operação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal para garantir segurança e coibir o turismo predatório, além de ações de orientação e educação para turistas e comunidade. A Frente Palestina Sul da Bahia busca participar ativamente desse debate para promover um turismo ético.
Matérias originais
- Ativista cobra punição a sionistas que tentaram destruir mural pró-Palestina na Bahia · operamundi.uol.com.br
- Ativista pede ação federal contra agressões de turistas sionistas na Bahia · operamundi.uol.com.br


