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TSE exige relatório da Meta sobre canal "Exército do Lula" em 24 horas

23 de outubro de 2026
TSE exige relatório da Meta sobre canal "Exército do Lula" em 24 horas

Destaques

  • •Ministro do TSE dá prazo para Meta apresentar plano de conformidade sobre canal ligado a André Janones.
  • •Debate sobre poder das big techs em eleições ganha força após determinação judicial.
  • •Congresso é criticado pela falta de regulamentação sobre atuação de plataformas digitais.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta, empresa dona do Facebook e Instagram, apresente um relatório técnico em 24 horas sobre a atuação do canal "Exército do Lula". A decisão atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e visa verificar se a plataforma cumpriu o plano de conformidade entregue à Justiça Eleitoral. O Ministério Público também apontou falhas no tratamento dado pela Meta às campanhas eleitorais.

O caso reacende o debate sobre o poder das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, de influenciar processos eleitorais no Brasil. Em uma discussão no programa O Grande Debate, da CNN, o comentarista José Eduardo Cardozo afirmou categoricamente que sim, as big techs têm poder para interferir em eleições.

"Hoje, boa parte das eleições é feita pelas redes sociais. E essas empresas têm um poder impressionante e tremendo", declarou Cardozo. Ele ressaltou que as plataformas podem remover conteúdos e que, muitas vezes, problemas técnicos parecem ocorrer de forma sistemática apenas de um lado do espectro político. Para ele, a situação representa uma ameaça à soberania do país, com interferência empresarial indevida que pode influenciar a eleição de um presidente.

O poder das plataformas digitais

Cardozo argumentou que a influência das big techs vai além da manipulação de informações, afetando a soberania popular quando eleitores são induzidos ao erro por desinformação ou pela supressão de canais de comunicação. Ele classificou a situação como uma "interferência empresarial indevida" que ofende a soberania nacional.

O empresário Leonardo Bortoletto também reconheceu o potencial de influência das big techs, afirmando que "seria impensável dizer que as big techs em 2026, com a concentração de poder que têm, não podem influenciar uma eleição". Ele citou como exemplo um episódio de 2014, envolvendo declarações sobre a atuação de funcionários dos Correios em favor da então candidata Dilma Rousseff.

Ausência de regulamentação e responsabilidade do Congresso

Bortoletto destacou a ausência de uma regulamentação clara sobre o tema e responsabilizou o Congresso Nacional pela lacuna. "Por omissão, a gente não tem a regulamentação. Por não ter a regulamentação, a gente não tem muito claro como apurar", disse.

Ele ponderou, contudo, que é necessário aguardar o desfecho do processo e a defesa da Meta antes de emitir julgamentos definitivos. "Enquanto não aparecer a defesa final, eu não tenho como emitir opinião se está certo ou se está errado", concluiu.

A determinação do TSE ocorre em um momento em que o debate sobre a regulação das plataformas digitais ganha força no Brasil, com discussões sobre a necessidade de maior transparência e responsabilização das empresas em relação ao conteúdo veiculado em suas redes.

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