TSE determina remoção de vídeo de suspeitos de tráfico com camisetas de Lula

Destaques
- •Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou a retirada de vídeo que mostra suspeitos de tráfico de drogas vestindo camisetas de campanha de Lula.
- •Policiais militares são acusados de obrigar os detidos a usar as peças antes de serem levados à delegacia em Piracicaba (SP).
- •Investigações sobre o caso seguem em diferentes instâncias, incluindo a Polícia Civil e a Justiça Militar.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de um vídeo que mostra suspeitos de tráfico de drogas vestindo camisetas alusivas à campanha de Lula. A gravação, feita em Piracicaba (SP), mostra os detidos sendo levados à delegacia com as peças, o que gerou acusações de que policiais militares teriam obrigado os jovens a usá-las. A decisão foi tomada pela ministra do TSE Estela Aranha, que considerou que o conteúdo buscava associar o Partido dos Trabalhadores (PT) à criminalidade.
O pedido de remoção foi feito pela coligação que apoia a campanha de Lula. O vídeo foi inicialmente divulgado pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP) e compartilhado por outras figuras políticas ligadas à oposição, como Carlos Jordy (PL) e Flávio Bolsonaro (PL). A decisão do TSE exige que o conteúdo seja retirado de todos os perfis que o publicaram. Em sua defesa, Derrite afirmou que o objetivo era alertar sobre o aliciamento de jovens pelo tráfico, sem fazer menção às camisetas.
Policiais sob investigação por múltiplos crimes
A Polícia Civil registrou um boletim de ocorrência que aponta quatro crimes que os policiais militares envolvidos podem responder. Entre eles estão ameaça, constrangimento ilegal e abuso de autoridade, incluindo constranger preso mediante violência e grave ameaça, e invadir imóvel sem consentimento.
O delegado Alex Adami informou que o caso será investigado pela Corregedoria da Polícia Militar, por se tratar de denúncias ocorridas durante o exercício da função dos militares. O advogado criminalista João Paulo Sangion explicou que a Justiça Militar pode ter competência sobre crimes comuns cometidos por militares em serviço, conforme a Lei nº 13.491/2017, que ampliou a atuação da Justiça Castrense.
Versões divergentes sobre a origem das camisetas
Moradores, familiares e militantes acusam os agentes de forjar a situação, afirmando que os detidos não usavam as camisetas no momento da abordagem. Segundo relatos, policiais teriam tomado as peças de duas mulheres contratadas pela campanha do PT e, em seguida, obrigado os suspeitos a vesti-las. Um dos jovens detidos confirmou em depoimento que os policiais encontraram as camisetas e os obrigaram a usá-las.
Por outro lado, a Polícia Militar informou que instaurou um procedimento para investigar o caso e que a denúncia inicial recebida pelo 190 relatava que os suspeitos estariam trajando camisetas alusivas ao então candidato à Presidência. A divergência sobre a origem das camisetas é o ponto central da investigação.
Repercussão e próximos passos
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, levando o PT a acionar a Procuradoria-Geral da República para pedir abertura de investigação. A Ouvidoria das Polícias solicitou o afastamento dos agentes envolvidos, e o Ministério da Justiça cobrou informações dos órgãos de segurança de São Paulo, pedindo a preservação de provas como imagens de câmeras corporais.
Após audiência de custódia, um dos suspeitos foi liberado com medidas cautelares, outro permaneceu preso e um adolescente foi encaminhado à Fundação Casa. As investigações seguem em curso, com apurações pela Polícia Militar, Corregedoria, Ministério Público Eleitoral e outros órgãos acionados pelo Ministério da Justiça.



