Truta amarela surpreende e supera linhagem selvagem em peso em experimento

Destaques
- •Pesquisa do Instituto de Pesca revela que truta amarela, resultado de cruzamento com linhagem albina, ultrapassa o peso da truta selvagem no longo prazo.
- •A variedade amarela atinge cerca de 300 gramas no ponto de abate comercial, superando os 237 gramas da selvagem e os 145 gramas da albina.
- •O achado abre novas possibilidades comerciais para a aquicultura e pesca esportiva, com potencial para diversificar produtos a partir da mesma espécie.
Um experimento inédito do Instituto de Pesca, com apoio da Fapesp, revelou uma exceção a uma regra geral na criação de peixes: a truta amarela (Oncorhynchus mykiss), resultado do cruzamento com a linhagem albina, demonstrou superar no longo prazo o peso da linhagem selvagem, que é parda com pintas pretas. O estudo, publicado na revista Aquaculture Reports, indica que essa variedade amarela atinge cerca de 300 gramas no ponto de abate comercial, superando com folga os 237 gramas da truta selvagem e os meros 145 gramas da variante albina.
Crescimento surpreendente da truta amarela
A truta amarela, que possui mutação genética, demonstrou um crescimento mais acelerado na reta final do experimento, enquanto a linhagem selvagem, embora mais robusta nos primeiros meses, teve seu crescimento desacelerado após 120 dias. Vinicius Vasconcelos Silva, 1º autor do estudo, destacou a surpresa com o desempenho da truta amarela, visto que albinos geralmente apresentam menor eficiência na conversão de alimento.
O estudo integra o projeto “Avaliação do crescimento muscular de linhagens de trutas-arco-íris”, apoiado pela Fapesp e coordenado por Vander Bruno dos Santos, pesquisador do Instituto de Pesca. Os experimentos foram realizados em tanques com controle de temperatura, qualidade da água e alimentação, com pesagens realizadas em intervalos de 60, 120, 180 e 270 dias.
Potencial comercial e para pesca esportiva
O achado abre novas possibilidades comerciais para a aquicultura e, principalmente, para a pesca esportiva. Vander Bruno dos Santos ressalta que existe uma demanda por peixes com colorações diferentes em estabelecimentos de pesque e pague, o que pode gerar diferentes produtos a partir da mesma espécie.
A diferença na coloração tem potencial para agregar valor e atrair novos consumidores para o mercado nacional de trutas, que atualmente produz cerca de 1,6 mil toneladas anuais. Os pesquisadores também exploram o potencial da “truta salmonada”, que adquire cor e propriedades nutricionais semelhantes às do salmão através de uma ração especial.
Genética e desenvolvimento
Estudos anteriores sugerem que genes ligados à cor podem afetar negativamente o crescimento e as defesas do organismo. No caso das trutas brancas e azuis, pesquisas indicaram que elas possuem a hipófise menor, glândula responsável por regular o metabolismo e o crescimento. A falta de melanina, característica do albinismo, pode prejudicar a ação de hormônios envolvidos na cor, inflamação, fome e energia, impactando o apetite, a resposta ao estresse e a imunidade do peixe.
O grupo do Instituto de Pesca trabalha agora para aumentar o valor nutricional da espécie, buscando superar limitações genéticas e produtivas para expandir o mercado brasileiro de trutas.
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