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Lorlatinibe mantém câncer de pulmão avançado sob controle por 7 anos em estudo

01 de novembro de 2026
Lorlatinibe mantém câncer de pulmão avançado sob controle por 7 anos em estudo

Destaques

  • •Estudo de sete anos com lorlatinibe mostra que 55% dos pacientes com câncer de pulmão avançado ALK-positivo permaneceram vivos e sem progressão da doença.
  • •O medicamento, que atua em alteração genética específica, demonstrou redução de 81% no risco de progressão ou morte em comparação com crizotinibe.
  • •Apesar dos resultados promissores, o alto custo (R$ 37 mil/mês) e a não incorporação ao SUS representam barreiras de acesso no Brasil.

Um estudo clínico de atualização de sete anos, publicado em setembro de 2026 na revista Annals of Oncology, revelou que o medicamento lorlatinibe manteve o câncer de pulmão de não pequenas células avançado sob controle em 55% dos pacientes com alteração genética ALK. O resultado é considerado inédito para a doença, superando significativamente tratamentos anteriores.

O ensaio clínico de fase 3 CROWN acompanhou 296 pacientes, divididos entre o grupo que recebeu lorlatinibe (149) e o que utilizou crizotinibe (147). Após sete anos, a mediana de sobrevida livre de progressão ainda não havia sido alcançada no grupo do lorlatinibe, enquanto no grupo do crizotinibe foi de apenas 9,1 meses. A probabilidade de sobrevida livre de progressão em sete anos foi de 3% para o grupo do crizotinibe.

Lorlatinibe: Terapia-alvo contra alteração genética

O lorlatinibe é um exemplo de terapia-alvo, medicamento desenvolvido para combater alterações genéticas específicas que impulsionam o crescimento tumoral. No caso do câncer de pulmão de não pequenas células, cerca de 3% a 5% dos tumores apresentam um rearranjo no gene ALK, que leva à produção de uma proteína anormal estimulando a multiplicação celular.

O medicamento atua bloqueando essa proteína, interrompendo o sinal de crescimento. Uma característica crucial do lorlatinibe é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, agindo também em casos de metástases cerebrais e combatendo mecanismos de resistência a tratamentos anteriores.

Os resultados de sete anos reforçam esse potencial, com ausência de novos episódios de progressão intracraniana após os primeiros 30 meses de tratamento com lorlatinibe no estudo CROWN. Para pacientes que completaram dois anos sem progressão, a probabilidade de seguirem sem avanço da doença no sétimo ano foi de 79%.

Avanço histórico e efeitos colaterais

O oncologista Gustavo Schvartsman, do Hospital Sírio-Libanês, destacou a evolução histórica do tratamento, comparando com quimioterapias e inibidores de gerações anteriores. "Nunca alguém passava de cinco anos sem a doença progredir quando só existia quimioterapia. Com os inibidores de primeira geração, foi para 5% ou 10% dos pacientes; com a segunda geração, 20% a 30%; agora chegamos a 55%. O avanço é muito grande", afirmou.

Apesar do entusiasmo, o medicamento apresentou eventos adversos de grau 3 ou 4 em 77% dos pacientes, com 34% necessitando de redução de dose. Efeitos no sistema nervoso central ocorreram em 52% dos pacientes em estudos clínicos, incluindo alterações cognitivas e de humor. O biomédico Matheus Henrique Dias ressaltou a importância de equilibrar a sobrevida com a qualidade de vida.

Desafios de acesso no Brasil

O acesso ao lorlatinibe no Brasil enfrenta obstáculos significativos. O custo mensal do medicamento pode chegar a R$ 37 mil, totalizando mais de R$ 3,1 milhões em sete anos. Além disso, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) decidiu em maio de 2025 contra a incorporação do medicamento para a primeira linha de tratamento em pacientes com câncer de pulmão ALK-positivo avançado ou metastático.

A decisão da Conitec, que aprovou o brigatinibe mas rejeitou o lorlatinibe e o alectinibe, baseou-se em critérios de custo-efetividade. Com isso, pacientes dependem de planos de saúde, compra particular ou decisões judiciais para obter o tratamento. A paciente brasileira Paula Piteri, que utiliza o medicamento fornecido pelo plano de saúde, relatou a importância de ter "perspectiva, saber que eu tenho vida para viver".

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