Trump renomeia Inteligência Artificial para "Superinteligência"
Destaques
- •Ordem executiva de Trump determina que agências governamentais substituam o termo Inteligência Artificial por "Superinteligência".
- •A mudança visa refletir a capacidade dos sistemas de "amplificar a engenhosidade humana", mas pode transformar o debate sobre IA em um teste de lealdade política.
- •A adesão ao novo termo é mista entre o governo e o setor de tecnologia, com o risco de polarizar o debate público sobre o futuro da IA.
No final de setembro, o ex-presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva instruindo agências governamentais a substituir o termo Inteligência Artificial (IA) por “Superinteligência”. A mudança, que superou outras opções como “Inteligência Extrema” e “Inteligência Suprema”, visa refletir a percepção de que os sistemas atuais “amplificam a engenhosidade humana” em vez de apenas “imitar” a inteligência.
Essa não é a primeira vez que Trump altera denominações para projetar domínio ou sinalizar prioridades, como a mudança do nome de corpos d'água para “Golfo da América” e “Lago América”, ou a tentativa de renomear o Kennedy Center. A justificativa para a mudança da IA é que a terminologia governamental deve espelhar a realidade da tecnologia. No entanto, a história sugere que tais mudanças podem se tornar testes de lealdade política, com aqueles que não aderem ao novo termo se tornando alvos de ataques, como ocorreu quando a Associated Press foi impedida de cobrir eventos da Casa Branca por não usar “Golfo da América”.
Adoção governamental e tropeços
Um mês após a ordem, o termo “Superinteligência”, ou “SI”, tem aparecido com mais frequência em solicitações governamentais, como um pedido do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) para sistemas de vigilância “alimentados por SI”. Muitos sites governamentais já exibem avisos sobre a transição terminológica. Contudo, houve alguns tropeços: o Pentágono anunciou uma nova iniciativa utilizando a terminologia antiga, e a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) usou “superinteligência” em vez da versão determinada pelo presidente. O termo “IA” provavelmente continuará em uso em muitos departamentos e programas já estabelecidos, como o Escritório de Inteligência Artificial e Digital do Pentágono.
Mesmo entre funcionários públicos, a transição tem sido lenta. Um pesquisador de um laboratório nacional e o próprio secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, utilizaram o termo “IA” em declarações recentes. A ordem executiva estabelece que a mudança não se aplica a regulamentações ou documentos já publicados, o que contribui para a permanência da antiga terminologia.
Reação do setor de tecnologia e mídia
A tentativa de mudança de nome se estende além do governo, com Trump criticando publicamente o Wall Street Journal por não usar “Superinteligência”. Ele sugeriu que uma nova regra poderá proibir explicitamente o uso de “Inteligência Artificial” em documentos governamentais. No entanto, veículos como o Newsmax também não adotaram o termo preferido pelo ex-presidente.
No setor de tecnologia, a situação é mais complexa. Seis executivos de gigantes como Google, Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Nvidia assinaram um acordo sobre segurança da IA, que faz referência à “Superinteligência”. No entanto, o termo não se popularizou amplamente entre eles. Apenas Mark Zuckerberg (Meta) e Elon Musk (xAI) o utilizaram consistentemente em teleconferências de resultados. A Meta já usava o termo desde o ano passado, e as empresas de Musk parecem ser as que mais o adotaram, com ele prometendo renomear a SpaceXAI para SpaceXSI. Executivos de Amazon, Microsoft e Alphabet continuaram usando “IA”, embora a Microsoft tenha mencionado a “era da Superinteligência” em uma carta a acionistas.
Impacto no debate público
A mudança de nome pode consumir tempo e dinheiro dos contribuintes, com funcionários públicos dedicando tempo à elaboração de guias de terminologia e à definição de uma nova definição legislativa de “Superinteligência”. No entanto, a preocupação principal reside no impacto sobre o debate nacional a respeito da IA. A autora teme que a transformação da terminologia em um teste de lealdade política possa inibir conversas entre pessoas com opiniões diferentes sobre a tecnologia, prejudicando a participação pública nas decisões sobre como a IA moldará suas vidas.
Com a IA sendo um tema mais importante para os eleitores americanos do que políticas ambientais, climáticas, de aborto e controle de armas nas eleições de meio de mandato, o debate nacional sobre seu impacto está apenas começando. Transformar a própria terminologia em um teste de lealdade, independentemente de “Superinteligência” se popularizar ou não, não contribuirá para o avanço desse debate crucial.
Matérias originais
- Veja quem está se alinhando ao teste de lealdade à “Superinteligência” de Trump · mittechreview.com.br


