Agência We é finalista do Caboré e se destaca no mercado publicitário

Destaques
- •A agência brasileira We foi indicada entre as três finalistas na categoria agência de comunicação do prêmio Caboré 2026, competindo com gigantes globais.
- •A We atribui seu sucesso à agilidade e estrutura enxuta, características que atraíram startups e marcas asiáticas como BYD e Shopee, impulsionando seu crescimento.
- •Com projeção de aumento na compra de mídia e receita, a agência busca novas aquisições e sinergias entre suas cinco empresas para se consolidar no mercado.
A agência brasileira We, fundada em 2002, figura entre as três finalistas na categoria agência de comunicação do prêmio Caboré 2026. A empresa se destaca no mercado publicitário por manter sua independência e competir em igualdade com operações de grandes conglomerados globais no Brasil. Ao lado da We na disputa pelo prêmio estão a francesa Publicis e a Africa Creative, parte do grupo americano Omnicom.
Roberto Campos, sócio e co-CEO da We, descreve a agência como a "underdog" da competição, representando todas as agências independentes do país. Fabio Rosinholi, sócio que divide o comando com Campos, ressalta que a indicação evidencia uma operação que sempre preferiu a discrição, deixando seu portfólio falar por si. "Somos uma agência 100% nacional, fazendo o que estamos fazendo no meio desses gigantes globais", afirma Rosinholi.
Agilidade e Estrutura de Startup
A dupla credita o avanço da We em um setor dominado por multinacionais à sua postura de "startup", com uma estrutura ágil e menos burocrática. "Aqui, tudo é muito rápido, se precisamos resolver algo é uma ligação, um WhatsApp", explica Rosinholi. "Numa multinacional, você tem toda uma esteira burocrática de aprovação no exterior. Essa liberdade nos dá uma velocidade que os grandes grupos não conseguem ter."
Essa rapidez e operação enxuta foram fundamentais para atrair os primeiros clientes da We, como Mercado Livre, Netshoes e OLX, empresas que surgiram na onda das pontocom e startups. A agência desenvolveu uma relação próxima com esses clientes, aprendendo a trabalhar de forma adaptável e criando legados como o conceito "Desapega" da OLX e a assinatura sonora da Netshoes.
Novos Mercados e Crescimento
O modelo de trabalho da We também atraiu marcas asiáticas, especialmente chinesas, que buscavam entrar no mercado brasileiro. Fabio Rosinholi compara esse movimento ao das startups, destacando que essas empresas são rápidas, menos burocráticas e desafiadoras. "Esse é o nosso jeito e ele casou muito com a forma do chinês trabalhar."
Um exemplo notável é a BYD, atendida pela We desde sua chegada ao Brasil em 2023. Na época, a montadora vendia 300 carros por mês; hoje, a média é de 27 mil, tornando-se top of mind em carros elétricos. Pablo Toledo, CMO da BYD, elogia a We por entender a singularidade da marca e não seguir o manual tradicional da indústria automotiva. A Shopee, de Singapura, também integra a carteira da We desde 2020, tornando-se top of mind em e-commerce no Brasil.
A agência também atende a EMS, farmacêutica brasileira, há 16 anos, expandindo a comunicação de mais de 15 produtos do grupo. Atualmente, a We reúne 540 profissionais em cinco empresas: IDK (CRM), Área 51 (dados), Content Club (estúdios) e WT.AG (influência e social), além da própria agência.
Expansão e Projeções Futuras
A aquisição da WT.AG é a adição mais recente ao grupo, que não descarta novas fusões e aquisições. Com a estrutura atual, a projeção é aumentar o volume de compra de mídia de R$ 900 milhões em 2025 para R$ 1,3 bilhão neste ano, e crescer a receita em 25%, para R$ 200 milhões.
Após uma reestruturação no fim de 2025, que integrou a agência LVL, as equipes do grupo passaram a dividir o mesmo espaço em um prédio na Vila Olímpia, em São Paulo. A empresa também reforçou seu time com nomes como Mauricio Almeida (ex-Publicis) e Rui Branquinho. "Nosso mercado vem mudando muito. A comunicação é muito mais complexa", avalia Campos. "Agora, a complementaridade é a bola da vez e todas as nossas empresas têm a meta de retroalimentar o grupo."
A sinergia entre as empresas do grupo é exemplificada pelo atendimento à rede de cinemas Cinemark, que entrou pela We e se estendeu para Área 51 e IDK. Outras seis contas reforçaram a carteira após a reestruturação, incluindo Cruzeiro do Sul, QI Tech e as chinesas Jovi, Keeta e Denza. "Tudo isso é resultado de muita entrega, de muito trabalho e do que fizemos em todos esses anos", afirma Campos. "Mas ainda estamos só no começo."


