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Trump enfrenta dilema econômico: preços altos desafiam dados positivos

01 de novembro de 2026
Trump enfrenta dilema econômico: preços altos desafiam dados positivos

Destaques

  • •Apesar de indicadores econômicos sólidos nos EUA, eleitores percebem inflação alta, impactando a avaliação do governo Trump.
  • •Aumento de 3,7% nos preços ao consumidor superou o ganho salarial de 3%, afetando o poder de compra.
  • •A percepção dos eleitores sobre a economia, baseada em experiências pessoais, pode ser mais decisiva nas eleições do que os números oficiais.

Donald Trump, assim como Joe Biden antes dele, enfrenta um desafio econômico complexo: a desconexão entre indicadores positivos e a percepção negativa da opinião pública sobre a economia. Apesar de um crescimento econômico estável de 2,2% e uma taxa de desemprego de 4,2% nos Estados Unidos, que são números respeitáveis, os eleitores continuam sentindo o peso dos preços altos no dia a dia.

Durante a campanha de 2024, Trump prometeu um alívio imediato para a inflação, mas a realidade tem se mostrado mais difícil. O crescimento econômico permanece estável e o mercado de ações perto de máximas históricas, mas o relatório mais recente sobre a inflação antes das eleições de meio de mandato confirma que os preços continuam elevados. Diferentemente de Biden, que lidava com as consequências da pandemia de Covid-19, Trump enfrenta pressões de preços de energia ligadas ao conflito entre Estados Unidos e Irã, além de efeitos de suas próprias políticas comerciais e migratórias.

A percepção do eleitor contra os números

A avaliação da economia pelos eleitores não se baseia em números do PIB ou máximas do mercado de ações, mas sim no que pagam no supermercado, no preço da gasolina e na capacidade de arcar com as despesas. Um crescimento de 2,2% nos EUA, por exemplo, seria visto como positivo em outras economias ricas como a Alemanha, que tem enfrentado dificuldades para alcançar dinamismo semelhante. A taxa de desemprego de 4,2% nos EUA também não indica uma economia em crise.

Trump argumenta que suas políticas estão funcionando, citando o forte crescimento e o desempenho do mercado de ações. A Casa Branca, por meio do porta-voz Matthew Middleton, afirmou que a "agenda econômica favorável ao crescimento" do governo amenizou a "crise inflacionária de Biden". Por outro lado, aliados como Larry Kudlow descrevem a expansão como "a melhor história já contada". No entanto, os eleitores parecem interpretar uma narrativa diferente, onde os preços continuam subindo apesar das promessas de campanha.

Salários não acompanham a alta dos preços

Um fator crucial para essa percepção negativa é que os aumentos salariais não acompanharam o ritmo da alta dos preços. O salário médio por hora subiu 3% no último ano, enquanto os preços ao consumidor aumentaram 3,7%. Essa diferença, embora pareça pequena, impacta diretamente o poder de compra das famílias americanas.

Celinda Lake, pesquisadora de opinião pública ligada ao Partido Democrata, explica que economistas e eleitores usam as mesmas palavras para significados distintos. Para economistas, "inflação caindo" significa que o ritmo de aumento dos preços diminuiu; para eleitores, significa que os preços voltaram ao patamar anterior, o que raramente acontece. Ela ressalta que os eleitores avaliam a economia com base em suas experiências pessoais, e "não é possível discutir com as pessoas sobre a realidade da vida delas".

Causas da inflação e políticas em debate

Críticos atribuem a inflação a Donald Trump, citando suas tarifas comerciais e a guerra com o Irã. O economista Peter Morici, da Universidade de Maryland, avalia que "a inflação é claramente atribuível a Donald Trump. São as tarifas dele e a guerra. As pessoas sabem disso. Elas veem". Um estudo do Federal Reserve de Nova York indicou que as tarifas impostas por Trump aumentaram os preços dos bens de consumo em aproximadamente 2,9%. O conflito com o Irã também elevou os preços do petróleo, impactando o custo da gasolina.

A Casa Branca, por sua vez, destaca cortes de impostos, crescimento do emprego e redução no custo de medicamentos como provas de cumprimento de compromissos. O governo também tem implementado políticas para aliviar pressões econômicas, como a proposta de limite para taxas de juros de cartões de crédito e a possibilidade de um pagamento de US$ 5 mil a adultos americanos. Essas medidas refletem a realidade política de que, quando os eleitores se preocupam com os preços, argumentos sobre crescimento e desemprego podem não ser suficientes.

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