Triplex do Guarujá: Boatos sobre Lula se estendem por 40 anos

Destaques
- •Alegações sobre um triplex no Guarujá foram centrais na condenação de Lula em 2017.
- •A posse do imóvel nunca foi comprovada, e a condenação foi anulada por parcialidade.
- •Boatos sobre patrimônio de Lula circulam desde os anos 80, com origem em setores diversos.
Há uma década, em meados de 2016, um edifício no Guarujá, litoral de São Paulo, tornou-se centro de atenção nacional. A força-tarefa da Lava Jato alegou que um apartamento triplex no local teria sido destinado a Luiz Inácio Lula da Silva como contrapartida por favores a uma empreiteira. Em 2017, o então juiz Sérgio Moro condenou Lula a nove anos de prisão, decisão que o tirou da disputa eleitoral de 2018 e resultou em 580 dias de encarceramento. Lula sempre negou a posse do triplex e alegou perseguição política.
Anos depois, após o vazamento de mensagens que indicaram conluio entre juiz e promotores, a narrativa da Lava Jato começou a ser questionada. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a parcialidade de Moro e a atuação irregular dos promotores, anulando a condenação de Lula em 2021 e arquivando o processo. A posse do triplex pelo petista jamais foi comprovada.
Boatos antigos e a origem das acusações
Os boatos sobre Lula possuir imóveis no Guarujá antecedem a própria Lava Jato. Em 1982, o jornal “O Estado de S. Paulo” já acusava o então líder sindical de ter uma casa de veraneio no litoral paulista. Lula, expoente do Novo Sindicalismo, consolidou-se como liderança popular nos anos 80, fundando o Partido dos Trabalhadores (PT) após coordenar greves no ABC Paulista. Perseguido pela ditadura militar, sua prisão intensificou o movimento operário.
As críticas e ataques a Lula, mesmo vindos de setores da esquerda, eram frequentes. Alguns o acusavam de ser “burguês” ou de colocar em risco a distensão do regime militar. Outros, como os trabalhistas, incomodavam-se com suas críticas ao varguismo e ao modelo sindical. Panfletos apócrifos distribuídos nos anos 80 já o retratavam vivendo em luxo, com uma mansão e piscina, enquanto os trabalhadores passavam dificuldades.
Acusações de 1982 e a resposta do PT
Em 1982, durante sua candidatura ao governo de São Paulo, Lula foi alvo de um boato que o acusava de possuir uma luxuosa casa de veraneio no Guarujá. Panfletos distribuídos na região do ABC Paulista mostravam um imóvel de luxo com a estrela do PT e a frase “essa é a casa onde Lula passa suas férias no Guarujá”. O texto o acusava de receber dinheiro do governo e de multinacionais, viajar em primeira classe e ter feito um acordo para enfraquecer a oposição em troca de liberdade.
O PT divulgou nota negando os boatos, atribuindo os ataques ao PMDB paulista e desafiando os acusadores a mostrarem a cara e darem o endereço da suposta casa. A nota afirmava que Lula morava em São Bernardo do Campo e que suas únicas férias nos dez anos anteriores foram os 31 dias passados na cadeia do DOPS. Quarenta e quatro anos depois, a existência de um imóvel de Lula no Guarujá ainda não foi comprovada.
O desafio de Lula e a ausência de provas
Apesar de ter se oferecido para abrir seus sigilos fiscais, bancários e telefônicos em busca de supostos patrimônios ocultos, o que seria uma nova chance para a direita brasileira analisar seus dados, Lula ainda não teve sua posse em imóveis comprovada. Seu oponente, Flávio Bolsonaro, tem declinado do desafio de investigar tais alegações, que remontam a décadas passadas e foram centrais em um processo judicial posteriormente anulado.
Matérias originais
- Uma fake News de quatro décadas: o ‘triplex de Lula’ no Guarujá · operamundi.uol.com.br



