TRF-1 autoriza acesso a documentos sigilosos sobre a morte de Tancredo Neves

Destaques
- •Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) aprovou acesso a documentos sigilosos sobre a saúde de Tancredo Neves.
- •Decisão atende pedido da família, que suspeita de erro médico e busca esclarecer as circunstâncias da morte do ex-presidente em 1985.
- •Conselhos de Medicina devem liberar prontuários e outros registros médicos do período em que Tancredo esteve internado.
Em uma decisão unânime, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou nesta segunda-feira (26) o acesso a documentos sigilosos relacionados à saúde do ex-presidente Tancredo Neves. A medida atende a um pedido da família do político, que busca esclarecer as circunstâncias de sua morte em 1985, após suspeitas de erro médico.
A ação judicial, que se arrasta por décadas, pede a liberação de todos os procedimentos ligados à saúde de Tancredo Neves durante o período em que ele esteve internado no Hospital de Base, em Brasília. Com a nova decisão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) deverão fornecer prontuários, a relação de médicos que o atenderam e outros documentos pertinentes.
A dúvida que persiste há décadas
Tancredo Neves foi internado na véspera de sua posse como presidente e faleceu em 21 de abril de 1985, um mês após a internação. A causa oficial da morte foi atribuída a uma infecção generalizada, decorrente de dores abdominais que levaram o então eleito a passar por sete cirurgias. No entanto, essa versão sempre foi questionada pela família, que levanta a possibilidade de falha médica no tratamento.
A advogada dos familiares, Juliana Porcaro, destacou que a divulgação dos dados transcende o interesse pessoal da família, sendo fundamental para a construção da "história de uma nação". O g1 entrou em contato com os conselhos de medicina e aguarda retorno.
O longo caminho para a decisão
O processo que busca a abertura do sigilo foi iniciado pela família há mais de uma década. Em primeira instância, a ação foi encerrada em 2012, mas o Ministério Público Federal (MPF) se manifestou favoravelmente aos familiares em 2014. Apesar disso, o caso permaneceu paralisado por mais de 10 anos.
Apenas em 2025 o pedido voltou a tramitar no TRF-1, culminando na decisão desta segunda-feira. A expectativa é que os documentos liberados possam trazer novas luzes sobre o caso.



