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Todas por Uma lança projeto internacional contra feminicídio em Miami

30 de outubro de 2026

Destaques

  • •Plataforma brasileira de combate à violência contra mulheres anuncia expansão com projeto em Miami.
  • •Tecnologia de IA Nice, integrada a acessórios, permite envio discreto de alertas de emergência.
  • •Iniciativa busca financiamento de 'capital paciente' para garantir acesso a soluções de impacto social.

A plataforma brasileira Todas por Uma anunciou na quinta-feira (29), durante o 1º Forbes Under 30 Summit Brasil, em São Paulo, seu primeiro projeto internacional de combate ao feminicídio. A iniciativa será realizada em parceria com a representação diplomática brasileira em Miami, nos Estados Unidos.

O anúncio foi feito por Mateus Lima, fundador da plataforma, durante o painel "Impact Is the New Currency: É possível crescer sem escolher entre impacto e resultado?". O projeto marca a expansão internacional da tecnologia brasileira, que, segundo Lima, já opera em mais de 30 países.

O evento, realizado no JW Marriott, reuniu empreendedores e líderes para debater a tensão entre impacto social, escala e sustentabilidade financeira. O painel foi mediado por Vera Ondei, editora de Agro da Forbes Brasil, e contou com a participação de Juliana Martinelli, fundadora da Inova 3D House, e Carola Matarazzo, diretora-executiva do Movimento Bem Maior.

Tecnologia Nice para alertas discretos

Além do aplicativo, a Todas por Uma desenvolveu a Nice, uma tecnologia de inteligência artificial associada a um dispositivo compacto. Ele pode ser integrado a acessórios, como brincos e colares, ou incorporado à costura de roupas. A ferramenta foi projetada para permitir o envio discreto de alertas de emergência com informações como localização, horário, contatos de emergência e registros do ambiente, incluindo áudio e imagem.

Segundo Mateus Lima, o desenvolvimento da tecnologia levou quatro anos. A plataforma acumula mais de 250 mil usuárias cadastradas, 15 mil vidas resguardadas e mais de 70 mil chamados de urgência administrados.

Para garantir o funcionamento em aparelhos mais simples, a empresa mapeou a realidade nacional e criou funcionalidades que, com um simples chacoalhar ou botão camuflado, garantem a mesma tecnologia de quem tem um aparelho de ponta. O modelo de subsídio cruzado, onde parte das unidades é vendida e a receita ajuda a financiar a distribuição gratuita para mulheres que não podem arcar com o custo, esgotou uma primeira remessa de mais de mil unidades.

Financiamento para negócios de impacto

A experiência da Todas por Uma levantou a questão do financiamento para negócios que buscam aliar sustentabilidade financeira e transformação social. Carola Matarazzo, do Movimento Bem Maior, defendeu a necessidade de investidores dispostos a esperar pelo amadurecimento dos resultados, o chamado "capital paciente".

Matarazzo diferenciou esse modelo da filantropia tradicional, ressaltando que o impacto precisa ser comprovado por métricas claras e acompanhamento consistente. "Impacto não pode virar uma buzzword", afirmou, defendendo que ele deve estar incorporado à estratégia e gestão da organização.

Juliana Martinelli, da Inova 3D House, apresentou o uso da impressão tridimensional na construção civil para habitação de interesse social. A proposta visa ampliar a eficiência e reduzir custos, mas a expansão depende de avanços técnicos, regulatórios e financeiros. A empresa estima que sua solução pode apresentar custos de 6% a 20% inferiores aos da alvenaria convencional.

Próximos passos e impacto na operação

O principal obstáculo para a Inova 3D House é a combinação entre homologação técnica e financiamento, que exige a obtenção do Documento de Avaliação Técnica (DATec) e capital de investimento. Matarazzo concluiu o debate defendendo que empresas podem incorporar o impacto social à operação por meio de mudanças na política de contratação e nas relações com fornecedores e comunidades.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado nos Anais do XIX Women in Information Technology (WIT 2025) em 2025 propõe um modelo preditivo para estimar o risco de feminicídio em espaços públicos no Brasil. Utilizando Random Forest e dados de denúncias públicas, o modelo obteve um Erro Absoluto Médio (MAE) de 0,25 casos por 100 mil mulheres. A taxa de denúncias foi a variável mais relevante, seguida pela cobertura de iluminação pública e pelo horário de pico. A ferramenta inclui um simulador interativo para análise de cenários e apoio à formulação de políticas, revelando padrões territoriais críticos.

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