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Terapia personalizada contra melanoma reduz risco de recorrência em 42%

24 de outubro de 2026
Terapia personalizada contra melanoma reduz risco de recorrência em 42%

Destaques

  • •Nova terapia combinada com imunoterapia mostra "avanço histórico" no tratamento de melanoma.
  • •Estudo INTerpath-001 reduziu em 42% o risco de recorrência ou morte em pacientes com o tipo mais agressivo de câncer de pele.
  • •Resultados promissores indicam potencial para novas abordagens no tratamento oncológico.

Uma nova terapia personalizada contra o câncer de pele alcançou um resultado considerado um "avanço histórico" por oncologistas. A combinação de uma vacina de RNA mensageiro (mRNA) individualizada com a imunoterapia pembrolizumabe reduziu em 42% o risco de recorrência ou morte em pacientes com melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Os dados foram apresentados neste sábado, 24, em Madri, na Espanha, durante o congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO).

A pesquisa, de fase 3 e denominada INTerpath-001, avaliou 1.137 pacientes com melanoma cutâneo em estágios avançados (IIB, IIC, III ou IV) que haviam sido submetidos à cirurgia de ressecção tumoral. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu a terapia experimental, o intismeran autogene, em conjunto com o pembrolizumabe; o outro grupo recebeu apenas pembrolizumabe e um placebo.

Como funciona a nova terapia

O pembrolizumabe é um medicamento de imunoterapia que atua bloqueando a proteína PD-1. Essa proteína age como um freio na atividade das células de defesa do corpo, e seu bloqueio permite que essas células ataquem o tumor com maior eficiência. Já a vacina personalizada, o intismeran autogene, funciona de maneira inovadora.

Para criar a vacina, os pesquisadores analisam uma amostra do tumor de cada paciente para identificar características únicas chamadas neoantígenos. Essas alterações nas células cancerosas são reconhecidas pelo sistema imunológico. Com base nesses neoantígenos, é produzido um RNA mensageiro (mRNA) individualizado.

Esse mRNA orienta as células do organismo a apresentar os neoantígenos ao sistema imunológico, funcionando como um "cartaz de procurado" do câncer. A oncologista Georgina Long, diretora médica do Instituto Melanoma da Austrália e líder da pesquisa, explicou que o mRNA "mostra exatamente o que procurar e atacar".

Resultados e benefícios observados

Após um acompanhamento mediano de 26 meses, o grupo que recebeu a combinação da vacina personalizada com o pembrolizumabe apresentou uma redução de 42% no risco de recorrência da doença ou morte, em comparação com o grupo que recebeu apenas o pembrolizumabe. Esse benefício foi observado na sobrevida livre de recorrência, que mede o tempo que os pacientes permanecem vivos sem que o câncer retorne.

Aos dois anos, 82,2% dos pacientes tratados com a terapia combinada estavam vivos e sem recorrência, contra 70% no grupo de controle. A diferença se tornou ainda mais acentuada nos primeiros seis meses de tratamento, quando a redução do risco de recorrência ou morte chegou a 58%. Segundo a Dra. Long, esse intervalo inicial era esperado devido ao tempo necessário para a produção individualizada da vacina e para o desencadeamento da resposta imunológica.

O estudo também indicou uma redução de 38% no risco de metástase à distância (disseminação do câncer para outras partes do corpo) ou morte. Aos dois anos, 88,5% dos pacientes tratados com a combinação estavam vivos e sem disseminação do melanoma, em comparação com 80,2% daqueles que receberam apenas pembrolizumabe.

Próximos passos e segurança

O perfil de segurança da combinação terapêutica foi considerado consistente com a experiência anterior com os tratamentos. No entanto, os pesquisadores ressaltam a necessidade de acompanhar os pacientes por um período mais longo para avaliar a duração do benefício e os possíveis efeitos sobre a sobrevida global.

O estudo INTerpath-001 é uma parceria entre as farmacêuticas Moderna e Merck (conhecida como MSD no Brasil). O intismeran autogene também está em investigação em outros estudos para diferentes tipos de câncer, como bexiga, pulmão e rim, demonstrando o potencial amplo dessa abordagem terapêutica personalizada.

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