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Reuters: Ondas de calor se transformam em 'tempestades de calor' globais

24 de outubro de 2026
Reuters: Ondas de calor se transformam em 'tempestades de calor' globais

Destaques

  • •Fenômenos antes esporádicos agora abrangem 85% do globo e duram meses, exigindo nova definição: 'tempestades de calor'.
  • •Aumento de 102 para 5 tempestades de calor por ano desde os anos 60 causa mortes, secas, incêndios e desastres em todo o mundo.
  • •Nova ferramenta da Reuters permite rastrear e nomear esses eventos, buscando maior conscientização pública sobre a crise climática.

O que antes eram episódios isolados de calor extremo evoluiu para um fenômeno climático em larga escala, capaz de afetar vastas áreas do planeta por meses ou até anos. Uma análise da Reuters, que consultou meteorologistas e examinou dados de temperatura desde 1960, revela que as ondas de calor se transformaram em verdadeiras "tempestades de calor". Esses eventos, definidos como ondas de calor que cobrem pelo menos 1% do globo, eram raros na década de 1960, com uma média de cinco por ano. Atualmente, essa média saltou para cerca de 102 tempestades de calor anuais, com uma delas chegando a cobrir quase 85% do planeta por 367 dias entre 2023 e 2024.

A nova realidade das 'tempestades de calor'

A Reuters propõe o termo "tempestade de calor" para descrever a nova magnitude desses eventos, que se diferenciam das tradicionais "ondas de calor" pela sua extensão e duração. Uma onda de calor comum é definida como cinco ou mais dias consecutivos de temperaturas anormalmente altas. Já as tempestades de calor, segundo a nova definição, são aquelas que, em seu pico, abrangem pelo menos 1% do globo. Essa mudança conceitual é crucial para entender o impacto crescente do aquecimento global.

A análise dos dados históricos mostra uma transformação drástica: enquanto nos anos 1960 havia uma média de cerca de cinco tempestades de calor ativas por ano, nesta década esse número disparou para uma média de 102. Essa proliferação tem consequências devastadoras em todo o mundo.

Impactos globais e mortais

As tempestades de calor já causaram uma série de catástrofes. Na Europa, temperaturas recordes em junho e julho levaram a deformações em trilhos de aço, mais de 10.000 mortes adicionais em uma única semana e a necessidade de refrescar animais em zoológicos. Nas Filipinas, o calor extremo levou a sangramentos nasais espontâneos em estudantes, enquanto no sul da Louisiana, uma seca histórica agravada por uma tempestade de calor resultou em incêndios florestais massivos e um grave acidente de trânsito causado por "superneblina".

A tragédia na Líbia, onde o rompimento de duas barragens após chuvas torrenciais alimentadas por uma tempestade de calor causou a morte de milhares de pessoas em Derna, é outro exemplo do poder destrutivo desses fenômenos. A peregrinação do Hajj na Arábia Saudita também foi marcada por mais de 1.300 mortes devido às altas temperaturas na Grande Mesquita de Meca, e incêndios na Grécia vitimaram imigrantes.

Mudanças climáticas e a urgência de nomear os eventos

Cientistas como James Renwick, da Universidade Victoria de Wellington, alertam que o calor é o "maior assassino das mudanças climáticas", podendo levar à "fome, inanição, morte e conflitos por recursos". A dificuldade em definir universalmente ondas de calor, com diferentes critérios de duração e temperatura entre países, dificultava a avaliação de sua frequência global. O sistema da Reuters, que utiliza um percentil histórico para definir o calor anormal em cada localidade, oferece uma metodologia mais precisa.

A proposta de nomear as tempestades de calor, similar ao que se faz com furacões e tufões, visa aumentar a conscientização pública. "Dar nomes a esses eventos é uma forma poderosa de fazer com que as pessoas entendam que algo está acontecendo", afirma Anthony Leiserowitz, da Universidade de Yale. A Reuters lançou um "Rastreador de Tempestades de Calor" online para que o público possa acompanhar esses fenômenos.

As tempestades de calor não apenas causam catástrofes pontuais, mas também efeitos sistêmicos, como o agravamento de secas, intensificação de incêndios e riscos à saúde de gestantes. Paradoxalmente, o aumento do calor tem aberto novas áreas para agricultura em latitudes mais altas, como na Sibéria, enquanto contribui para secas em regiões tradicionais de produção de grãos.

A análise também aponta para uma diminuição nas ondas de frio e tempestades de frio. Desde a década de 1960, a área afetada por esses fenômenos no inverno encolheu quase 80%. A tendência atual é de "cascatas de tempestades de calor", onde eventos se encontram, fundem e se separam, mantendo o planeta sob calor extremo por períodos prolongados. Desde 2008, pelo menos uma tempestade de calor assola o globo ininterruptamente por mais de 18 anos.

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