Descoberto Dianjunus rex: fungo gigante que surgiu após extinção dos dinossauros

Destaques
- •Uma nova espécie de fungo gigante, batizada de Dianjunus rex, foi identificada na China.
- •O fungo pode atingir 50 cm de altura e pesar quase 2,2 kg, sendo o maior conhecido do filo Ascomycota.
- •A descoberta ressalta a vasta biodiversidade fúngica ainda desconhecida pela ciência.
Cientistas identificaram na China uma nova e gigantesca espécie de fungo, batizada de Dianjunus rex, que surgiu após a extinção dos dinossauros há cerca de 65 milhões de anos. O nome, que compartilha parte com o Tyrannosaurus rex, o "rei" dos dinossauros, reflete o tamanho impressionante do fungo. O D. rex pertence a uma família de fungos que prosperou após o evento de extinção em massa que dizimou a vida na Terra.
O fungo gigante se destaca por suas estruturas reprodutivas, chamadas estromas, que podem atingir até 50 centímetros de altura e pesar quase 2,2 quilos. Essa característica o torna o maior membro conhecido do filo Ascomycota, o grupo mais diverso de fungos, que inclui espécies como morelas, trufas e leveduras. Antes desta descoberta, o maior conhecido era o Engleromyces goetzei, do Quênia, com cerca de 30 cm de diâmetro e 3,2 kg.
O surgimento após a extinção
Acredita-se que a extinção em massa que marcou o fim da era dos dinossauros criou um ambiente propício para a evolução do D. rex. Com a supressão da fotossíntese e o acúmulo de matéria orgânica morta, fungos decompositores como o D. rex encontraram um vasto "banquete" para se desenvolver. A nova família de fungos, denominada Dianjunaceae, teria surgido cerca de 1 milhão de anos após o impacto do asteroide que encerrou o Período Cretáceo.
Apesar de seu tamanho, o fungo não foi testado quanto à toxicidade. No entanto, relatos de moradores locais que o provaram indicam que não houve efeitos adversos, segundo Indunil Senanayake, coautor do estudo e professor associado do Instituto de Botânica de Kunming.
Por que o fungo é tão grande?
Uma das questões que os cientistas buscam responder é o motivo do tamanho excepcional do D. rex em comparação com outros fungos de seu filo. Geralmente, os ascomicetos não produzem estromas grandes, pois isso representa um alto gasto de energia. Os estromas do D. rex crescem verticalmente, e a parte superior contém milhares de poros que liberam esporos.
O solo das florestas onde o fungo é encontrado é denso em material vegetal fibroso, que pode reter os esporos. A elevação do corpo de frutificação do D. rex acima do solo pode facilitar a dispersão dos esporos, aumentando o sucesso reprodutivo.
A importância da biodiversidade fúngica
Fungos desempenham um papel essencial nos ciclos do carbono e na saúde de ecossistemas vegetais. "É muito importante que entendamos o que eles fazem", afirma Kabir Peay, professor de biologia na Universidade Stanford. "O primeiro passo para entender o que eles fazem é descrevê-los, reconhecer sua existência e, posteriormente, tentar compreender mais detalhes sobre sua ecologia."
Estima-se que existam entre 2 e 13 milhões de espécies de fungos no planeta, mas apenas cerca de 150.000 foram descritas até hoje. "É um grupo de organismos extremamente subestimado e pouco descrito", acrescenta Peay. A descoberta do D. rex, registrada em levantamentos de diversidade fúngica em 2024 e 2025 na província de Yunnan, na China, e publicada na revista Frontiers in Fungal Biology, ressalta o quanto ainda há para ser descoberto sobre a vida fúngica.



