Economia & PolíticaRelevância BR: 9/10

Tenda (TEND3) enfrenta pressão nas margens e risco de revisão de lucros

05 de novembro de 2026
Tenda (TEND3) enfrenta pressão nas margens e risco de revisão de lucros

Destaques

  • •A construtora Tenda (TEND3) reportou um terceiro trimestre com margens brutas em queda, impulsionada pelo aperto nas condições de financiamento habitacional e maior inadimplência.
  • •Analistas do Itaú BBA, Safra e BTG Pactual alertam para a possibilidade de revisões negativas nas projeções de lucro, com potencial corte de até 15% nas estimativas para 2027.
  • •Apesar das preocupações com rentabilidade e qualidade da carteira de crédito, os bancos mantêm recomendação de compra para as ações da Tenda, com preços-alvo que indicam potencial de alta superior a 120%.

A construtora Tenda (TEND3) viu suas ações liderarem as quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (11) após a divulgação de seu balanço do terceiro trimestre, que acendeu alertas em grandes bancos como Itaú BBA, Safra e BTG Pactual. A deterioração das margens operacionais, o impacto do crédito imobiliário mais restrito e o risco de aumento da inadimplência são os principais fatores que preocupam o mercado e podem comprometer a recuperação da incorporadora.

Um dos pontos centrais de atenção é o endurecimento das condições de financiamento habitacional, especialmente as operações da Caixa Econômica Federal (CEF). Com critérios mais rigorosos, a Tenda passou a enfrentar um ambiente comercial mais desafiador. Além disso, a própria companhia reduziu a participação do crédito pro soluto pós-entrega — parte do pagamento recebida após a entrega das unidades — de cerca de 10% para 7% do valor dos imóveis. Essa mudança, embora alinhada a uma política mais conservadora, impactou a rentabilidade, contribuindo para uma queda de 2,9 pontos percentuais na margem bruta das novas vendas, que atingiu 34,5%.

Pressão sobre margens e risco de revisão de lucros

A margem bruta ajustada na operação principal da Tenda recuou de 39,9% no segundo trimestre para 34,6% no terceiro, uma queda de 5,3 pontos percentuais. O Itaú BBA avalia que a companhia pode enfrentar revisões negativas nas estimativas de lucro para 2027. Uma redução na margem bruta dos empreendimentos em construção de 38,3% para aproximadamente 36% poderia levar a um corte de 10% a 15% nas projeções de lucro.

O Safra também considera provável uma revisão para baixo das estimativas, citando o impacto mais intenso do que o antecipado pela política de crédito pós-entrega. O banco também chama a atenção para o aumento das despesas comerciais com cancelamentos e um crescimento de 28% nas despesas gerais e administrativas em relação ao ano anterior. O BTG Pactual prevê que parte das pressões sobre margens e velocidade de vendas deve persistir, tornando a recuperação da companhia mais gradual, devido ao maior peso de projetos das faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida, descontos comerciais e aumento de cancelamentos.

Carteira de recebíveis e comunicação sob escrutínio

Outra preocupação levantada pelo Safra é a qualidade da carteira de crédito. A Tenda possui cerca de R$ 2,3 bilhões em créditos pós-entrega, equivalentes a 36% do total de recebíveis brutos. O aumento do endividamento das famílias e uma eventual deterioração da qualidade do crédito podem exigir provisões adicionais, pressionando os resultados futuros. A redução do crédito direto aos clientes, embora vise limitar a exposição ao risco de inadimplência, pode dificultar vendas e reduzir margens.

O desempenho da Alea, operação de casas industrializadas da Tenda, também é um ponto de atenção, com margem bruta ajustada de apenas 5,5% no trimestre. Além disso, o BTG Pactual aponta que a comunicação pouco clara da Tenda sobre as dificuldades enfrentadas tem prejudicado a confiança dos investidores, que buscam entender por quanto tempo as condições adversas devem persistir e quais medidas permitirão a recomposição das margens.

Apesar das ressalvas, os três bancos mantêm uma avaliação positiva sobre o preço das ações. Itaú BBA e Safra preservam recomendação de compra. O Itaú BBA tem o maior preço-alvo, de R$ 58, com potencial de alta de 193,7%. O Safra projeta R$ 46 (potencial de 132,9%), e o BTG Pactual estabelece R$ 45 (potencial de 127,8%).

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Tenda (TEND3) enfrenta pressão nas margens e risco de revisão de lucros | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias