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Tempestade de calor Vera durou um ano e afetou 85% do planeta

22 de outubro de 2026
Tempestade de calor Vera durou um ano e afetou 85% do planeta

Destaques

  • •Fenômeno climático extremo, batizado de Vera, durou 367 dias e atingiu quase 85% da superfície terrestre.
  • •Ondas de calor se tornaram 20 vezes mais frequentes desde a década de 1960, com impactos globais.
  • •Nova categoria 'tempestade de calor' foi criada para fenômenos de grande extensão e duração.

Uma onda de calor sem precedentes, batizada de Vera, durou 367 dias e impactou quase 85% da superfície do planeta, causando uma série de eventos extremos em diferentes continentes. A investigação da Reuters, que analisou dados de temperatura desde 1960, propôs uma nova categoria para fenômenos de grande escala: as "tempestades de calor", definidas por duração mínima de cinco dias e alcance de ao menos 1% da superfície global.

A tempestade Vera, que ocorreu entre julho de 2023 e julho de 2024, atingiu seu pico de extensão em janeiro de 2024, cobrindo 31,3% do planeta. Seus efeitos foram devastadores e variados: nas Filipinas, altas temperaturas afetaram estudantes em escolas sem ar-condicionado; na Louisiana (EUA), o calor agravou uma seca histórica, contribuindo para incêndios florestais e um grave acidente de trânsito com 158 veículos e sete mortos. Na Líbia, o fenômeno intensificou um ciclone que rompeu barragens e destruiu bairros. Na Arábia Saudita, mais de 1.300 peregrinos morreram durante o Hajj devido às temperaturas de até 51,8 °C. A Grécia também registrou o maior incêndio florestal da Europa.

Aumento da frequência e extensão das tempestades de calor

A análise da Reuters revelou uma mudança drástica na frequência e extensão das ondas de calor. Na década de 1960, havia em média cinco tempestades de calor ativas por ano. Atualmente, essa média saltou para cerca de 102 anuais. A proporção da superfície terrestre suscetível a esses eventos aumentou mais de 12 vezes no mesmo período, acompanhando o crescimento de mais de 30% na concentração de dióxido de carbono na atmosfera.

As tempestades de calor passaram a representar uma parcela maior dos dias excepcionalmente quentes, saltando de 3% na década de 1960 para quase 43% nesta década. Além disso, os períodos de "cascatas de tempestades de calor" – episódios combinados e simultâneos – aumentaram significativamente em duração, passando de uma média de dois meses nos anos 1960 para nove meses no início dos anos 2000. Uma dessas sequências iniciada em 2008 permanecia ativa na data de publicação da investigação, indicando mais de 18 anos consecutivos com pelo menos uma tempestade de calor ativa globalmente.

Impactos na agricultura e saúde

O calor extremo, intensificado por fenômenos como o El Niño, também acarreta sérias consequências para a produção de alimentos e a saúde pública. Na Costa do Marfim e em Gana, importantes produtores de cacau, a colheita caiu pela metade devido ao calor e à seca causados pela tempestade Vera, afetando a renda dos agricultores. Estudos associam a exposição a altas temperaturas durante a gravidez a riscos aumentados de complicações, como natimortos e pré-eclâmpsia.

O professor James Renwick, da Universidade Victoria de Wellington, alertou que o calor provoca grandes perturbações sociais, podendo levar à fome, mortes e conflitos por recursos. Embora algumas regiões possam se beneficiar temporariamente de temperaturas mais altas para certas culturas, a expansão das ondas de calor aumenta o risco de secas em outras áreas, como observado na Sibéria, que expandiu sua produção de trigo para o norte.

Nova tempestade de calor em andamento

A investigação da Reuters identificou outra tempestade de calor significativa, chamada Raimundo, que começou em fevereiro de 2026 e já atingiu quase três quartos do planeta. Raimundo causou calor intenso na Europa, alimentou incêndios florestais na Espanha e França, e em seu pico de extensão em agosto cobriu 33,8% do globo, superando o recorde anterior de Vera. A Reuters lançou um rastreador online para monitorar esses eventos, buscando aumentar a visibilidade de fenômenos climáticos extremos que frequentemente são percebidos como isolados.

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