Telescópio espacial Swift da Nasa reentra na atmosfera da Terra após 22 anos

Destaques
- •O Observatório Neil Gehrels Swift, da Nasa, encerrou sua missão de quase 22 anos ao reentrar na atmosfera terrestre.
- •A reentrada ocorreu sobre a Indonésia, com a maior parte da espaçonave de 1,5 tonelada se desintegrando, mas com risco de fragmentos atingirem o solo.
- •A Nasa busca agora empresas para prolongar a vida útil de outros telescópios icônicos, como o Hubble.
O Observatório Neil Gehrels Swift da Nasa, lançado há quase 22 anos, reentrou na atmosfera terrestre nesta quarta-feira (4), marcando o fim de uma missão que estudou algumas das explosões mais poderosas do universo. A confirmação foi divulgada pela agência espacial norte-americana, que informou que a reentrada ocorreu às 9h39 (horário de Brasília) sobre a região de Sumatra do Norte, na Indonésia. A maior parte da espaçonave de aproximadamente 1,5 tonelada deveria se desintegrar durante a passagem pela atmosfera, mas a Nasa não informou se algum fragmento chegou à superfície.
O fim de uma missão longeva
Lançado em novembro de 2004 com uma missão prevista inicialmente para dois anos, o Swift superou todas as expectativas, operando por quase 22 anos. O telescópio foi batizado em homenagem ao astrofísico Neil Gehrels, que liderou a missão e faleceu em 2017. Ao longo de sua operação, o Swift detectou mais de 2 mil explosões de raios gama, estudou mais de 1.400 supernovas e contribuiu para cerca de 7 mil artigos científicos. A missão foi oficialmente encerrada em 20 de outubro, quando o observatório já estava a cerca de 275 quilômetros de altitude, dificultando a estabilidade dos instrumentos devido ao atrito com as camadas superiores da atmosfera.
Por que o Swift caiu?
O fim da missão do Swift foi acelerado pelo aumento da atividade solar, que atingiu o pico de seu ciclo de 11 anos em 2024. Erupções solares intensas e ejeções de massa coronal causaram a expansão da atmosfera terrestre, aumentando o arrasto sobre o satélite. Como todo satélite em órbita baixa, o Swift perdia gradualmente velocidade e altitude, mas o fenômeno solar intensificou esse processo. A tentativa de resgate por uma nave robótica da empresa Katalyst Space Technologies, lançada em julho, falhou em agosto devido a problemas no sistema de controle da nave.
O legado e os próximos passos
Com o destino do Swift selado, os cientistas religaram os instrumentos para coletar dados finais, o que ironicamente acelerou a queda do satélite. O Swift era uma ferramenta multifuncional de astrofísica, capaz de detectar raios gama, raios X, ultravioleta e luz visível, além de manobrar automaticamente para apontar seus detectores. A Nasa busca agora empresas para prolongar a vida útil de outros instrumentos espaciais valiosos, como o icônico Telescópio Espacial Hubble, que também enfrenta um risco de desorbitação nas próximas décadas. Uma solicitação de propostas foi lançada para empresas comerciais que possam impulsionar ou guiar o Hubble para uma queda controlada.
Matérias originais
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- Após 22 anos de operação, observatório Swift deve se desintegrar na atmosfera nesta quarta (4) · super.abril.com.br



