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Técnicas extras na FIV não comprovam aumento de chances de gravidez, diz estudo

25 de outubro de 2026
Técnicas extras na FIV não comprovam aumento de chances de gravidez, diz estudo

Destaques

  • •Revisão sistemática publicada na The Lancet avaliou 10 "add-ons" em fertilização in vitro.
  • •A maioria das técnicas não apresentou benefícios comprovados ou teve evidências insuficientes.
  • •Especialistas alertam para custos desnecessários e a importância de focar em benefícios comprovados para o casal.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em julho na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health concluiu que a adição de técnicas extras, conhecidas como "add-ons", a um tratamento de fertilização in vitro (FIV) não garante necessariamente um aumento nas chances de engravidar ou de ter um bebê. A pesquisa avaliou 10 desses procedimentos, e para a maioria, os pesquisadores não encontraram benefícios significativos ou consideraram as evidências insuficientes ou inconclusivas. Apenas três técnicas apresentaram algum sinal de benefício em desfechos específicos, mas com evidências ainda consideradas limitadas.

O ginecologista Denis Schapira Wajman, especialista em reprodução humana do Einstein Hospital Israelita, comentou que o resultado confirma uma preocupação já existente entre especialistas e sociedades científicas: muitas dessas técnicas foram incorporadas à prática clínica sem que houvesse evidências sólidas de que realmente aumentam a chance de nascimento de um bebê. "Em reprodução assistida, fazer mais não significa necessariamente fazer melhor", afirmou.

O que são os "extras" da FIV?

As 10 intervenções analisadas buscam objetivos variados, como melhorar a qualidade ou seleção de embriões, favorecer a implantação no útero ou modificar fatores imunológicos. Entre elas estão o PGT-A (teste genético pré-implantacional), o teste de receptividade endometrial, o endometrial scratching (lesão proposital no endométrio), o PRP intrauterino e intraovariano (plasma rico em plaquetas), intralipídios e corticoides (para modular o sistema imunológico), acupuntura, PICSI (seleção de espermatozoides) e EmbryoGlue (meio de transferência embrionária).

O PGT-A visa avaliar o número de cromossomos do embrião para auxiliar na seleção e reduzir abortamentos. O teste de receptividade endometrial busca identificar o período ideal para implantação. Já o endometrial scratching provoca uma pequena lesão no endométrio para estimular um processo de reparação que poderia favorecer a implantação, mas atualmente não é recomendado como rotina.

O PRP intrauterino é um procedimento experimental que aplica plasma rico em plaquetas no útero para melhorar o desenvolvimento e a receptividade do endométrio. O PRP intraovariano tem a intenção de melhorar a função ou resposta dos ovários. Intralipídios e corticoides são usados com a hipótese de interferir em mecanismos imunológicos envolvidos na implantação. A acupuntura busca aumentar o fluxo sanguíneo para órgãos reprodutivos e reduzir o estresse, mas sem evidência consistente de aumento de nascidos vivos na FIV.

O PICSI baseia-se na capacidade dos espermatozoides de se ligarem ao ácido hialurônico, indicando maturidade. O EmbryoGlue é um meio de transferência embrionária enriquecido que visa aumentar a probabilidade de implantação.

Resultados limitados e custos a considerar

Ao final da análise, o EmbryoGlue, o endometrial scratching e o PICSI apresentaram sinais de benefício em alguns desfechos, como possível aumento da taxa de nascidos vivos e redução no risco de abortamento. Contudo, os pesquisadores consideram as evidências fracas e não suficientes para recomendar o uso rotineiro dessas técnicas.

Além da eficácia, o custo desses procedimentos adicionais é um fator importante. A FIV já representa um alto investimento, e alguns "extras" podem elevar significativamente o valor final sem benefício comprovado. "Precisamos considerar custo-benefício e evitar acrescentar procedimentos que aumentem o ônus financeiro e emocional do casal sem evidência suficiente de que melhorem o resultado do tratamento", declarou Wajman.

A decisão sobre quais métodos utilizar deve considerar a indicação individual, a qualidade das evidências e se há melhora em desfechos relevantes, como o nascimento do bebê. Casais devem questionar sobre riscos, custos, alternativas e se a técnica é recomendada por sociedades científicas ou ainda é experimental.

"A pergunta não deveria ser 'o que mais podemos acrescentar?', mas sim 'o que realmente pode trazer benefício para este caso específico?'", concluiu o especialista. "Disponibilidade não significa necessariamente que exista indicação ou evidência suficiente para uso rotineiro".

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