TDAH na infância: o remédio aumenta o risco de dependência?

Destaques
- •Evidências científicas indicam que o tratamento adequado do TDAH com medicamentos estimulantes na infância não aumenta o risco de dependência química futura.
- •O próprio TDAH está associado a uma maior probabilidade de desenvolver problemas com álcool e outras drogas, possivelmente devido a características como impulsividade e alterações nos circuitos de recompensa do cérebro.
- •Estudos sugerem que o tratamento medicamentoso pode até ter um efeito protetor, reduzindo o risco de uso indevido de substâncias e outros comportamentos de risco.
A preocupação de que medicamentos estimulantes para TDAH possam levar à dependência química no futuro é comum, mas as evidências científicas mais recentes apontam o contrário. Na verdade, o próprio TDAH está associado a um risco maior de desenvolver problemas com substâncias.
Pesquisas robustas, como uma publicada na JAMA Psychiatry, acompanharam crianças com TDAH até a vida adulta e não encontraram relação entre o uso de estimulantes e o aumento do uso de álcool, maconha ou outras drogas. O que se observa é que características do TDAH, como a impulsividade e a busca por recompensas imediatas, podem predispor ao uso de substâncias.
O tratamento adequado e individualizado, acompanhado por um especialista, pode inclusive ter um efeito protetor, reduzindo o risco de uso indevido de substâncias e outros comportamentos de risco. A intervenção precoce no TDAH visa atuar sobre sintomas como impulsividade e dificuldade de controle inibitório, que estão ligados a comportamentos de risco.
Portanto, o cuidado com o TDAH não se resume à medicação, mas inclui o acompanhamento e a identificação de prejuízos desde cedo, o que pode ser crucial na prevenção futura. 📉



