Taxa de condomínio em SP sobe 30% em 4 anos e chega a R$ 1.085

Destaques
- •O preço médio da taxa de condomínio na cidade de São Paulo aumentou 30% nos últimos quatro anos, passando de R$ 832 em 2022 para R$ 1.085 em 2026.
- •O principal fator de aumento são os custos operacionais, como mão de obra e tarifas de concessionárias públicas, que superam a inflação geral.
- •A inadimplência condominial no Brasil atingiu um recorde em 2026, com 12,5% das taxas em atraso há mais de 30 dias, afetando a gestão e a qualidade de vida nos prédios.
A taxa de condomínio na cidade de São Paulo acumulou uma alta de 30% nos últimos quatro anos, saltando de um valor médio de R$ 832 em 2022 para R$ 1.085 em 2026. O aumento supera a inflação oficial, medida pelo IPCA, que ficou em cerca de 20% no mesmo período, impactando diretamente o orçamento das famílias paulistanas.
O encarecimento das cotas condominiais é explicado pela estrutura de custos operacionais dos edifícios. Segundo Angélica Arbex, diretora de estratégia e relacionamento da Lello Condomínios, o principal fator é a mão de obra, cujos valores acompanham os reajustes salariais da categoria. Além disso, as tarifas de concessionárias públicas de água, energia elétrica e gás também sofreram ajustes acima da inflação geral. "O condomínio não é composto por bens de consumo, mas sim por serviços, contratos e tarifas públicas, por isso não acompanha a inflação tradicional", explica Arbex.
Custos e variações por região e tamanho
O valor pago anualmente para manter um condomínio em São Paulo pode chegar a R$ 13 mil por morador. Essa despesa varia significativamente dependendo do número de unidades e da localização. Condomínios com mais de 150 apartamentos no Centro, por exemplo, custam em média R$ 7,1 mil por ano, enquanto aqueles com menos de 30 unidades na zona sul podem ultrapassar R$ 33 mil anuais. Na prática, quanto menor o número de vizinhos, maior o custo individual.
A localização também exerce influência. Na zona sul, a despesa média mensal é de R$ 1.282, enquanto na zona leste o valor cai para R$ 750, uma diferença de R$ 532 mensais. No entanto, Angélica Arbex ressalta que a localização não é o fator determinante, mas sim o número de unidades, a quantidade de funcionários e os equipamentos de lazer.
O impacto na escolha do imóvel e no estilo de vida
O aumento da taxa de condomínio, juntamente com o financiamento e IPTU, influencia a decisão de compra de imóveis. Lucas Penteado, proprietário da Lopes Prime, comenta que os compradores têm um teto de gastos e calculam todos esses custos. Para quem busca lazer compartilhado, como piscinas e salões de festa, o custo pode compensar, mesmo que mais alto. Júlia Paiva, moradora de um condomínio com mais de 140 apartamentos no Jardim Prudência, afirma que a estrutura compensa o valor mensal de cerca de R$ 1.100.
A urbanista Paula Santoro, da USP, critica a verticalização e o modo de vida individualista que os condomínios fomentam, privatizando espaços públicos e incentivando o uso do carro. O número de moradores de apartamentos no Brasil cresceu de 8,5% em 2010 para 12,5% em 2022, um aumento de 47%.
Despesas e inadimplência condominial
Os gastos com pessoal lideram as despesas dos condomínios em São Paulo, representando 49% do orçamento. Em um condomínio com mais de 150 apartamentos na zona sul, esse custo pode chegar a R$ 70 mil mensais, enquanto em um com menos de 30 unidades na zona leste, o gasto médio é de R$ 15,8 mil. Outros custos relevantes incluem água e energia.
A inadimplência da taxa de condomínio na capital paulista apresentou queda, de 6,24% em 2022 para 5,30% em 2026. Contudo, em âmbito nacional, a inadimplência atingiu um recorde em 2026, com 12,5% das taxas em atraso há mais de 30 dias, segundo a uCondo. O diretor de operações da uCondo, Léo Mack, atribui o aumento ao comprometimento da renda familiar, juros elevados e custo de vida. A inadimplência pode levar ao adiamento de melhorias, reformas e manutenções, prejudicando a qualidade de vida e a valorização dos imóveis.



