Tallis Gomes critica "eles" em evento de empresários e cita "A Revolta de Atlas"

Destaques
- •CEO da G4 critica o "poder" e a burocracia brasileira em evento para 25 mil empresários.
- •Tallis Gomes comparou a carga tributária brasileira com a de países subsaarianos e citou exemplos de empresas resilientes.
- •O evento G4 Valley 2026 reúne empreendedores sob o slogan "Onde os heróis do Brasil se encontram".
O maior encontro de empresários do Brasil, o G4 Valley 2026, abriu seus trabalhos em São Paulo com um discurso polarizado de Tallis Gomes, CEO da G4 e fundador da Easy Taxi. Reunindo mais de 25 mil pessoas sob o slogan "Onde os heróis do Brasil se encontram", o evento, que vai até 31 de outubro, foi marcado por uma mensagem de resiliência empreendedora diante de um cenário de dificuldades.
Pouco antes de sua fala inicial, um vídeo destacou os esforços de empreendedores brasileiros, sugerindo que eles estão destinados a vencer "apesar deles". A mensagem ecoou o sentimento de divisão política após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Gomes endossou essa visão, afirmando: "A gente nunca contou com eles e eles nunca nos ajudaram, só nos atrapalharam. Pode acreditar no que eu estou falando: a gente vai vencer apesar deles".
Críticas à relação Estado-empresariado
Em sua apresentação, Gomes criticou a relação do Brasil com quem produz, argumentando que o país cobra impostos elevados em troca de serviços públicos de baixa qualidade, comparáveis aos de países subsaarianos. Ele ressaltou que as dificuldades fazem parte da história brasileira, mencionando que mesmo durante o governo de Jair Bolsonaro, considerado por ele um bom presidente, o país enfrentou a pandemia.
Apesar dos obstáculos, o CEO citou exemplos de empresas brasileiras que construíram histórias de sucesso, como a Localiza (fundada em 1973, durante a crise do petróleo), a Ambev (cuja origem remonta a 1999, em meio a uma crise cambial) e o BTG Pactual (que superou turbulências para se tornar o maior banco de investimento da América Latina).
Adaptação e resiliência como chave
Gomes também usou a trajetória da própria G4 Educação para ilustrar a capacidade de adaptação dos negócios. Ele explicou que a pandemia levou a companhia a redesenhar seu modelo de negócio, ampliando sua atuação em tecnologia. "Se fôssemos apenas uma empresa de educação, faríamos R$ 250 milhões em 2026. Como nos tornamos uma empresa de tecnologia, este ano faremos R$ 750 milhões", declarou.
O empresário, que empreende desde os 14 anos, defendeu que a experiência de superar obstáculos é intrínseca à trajetória dos empreendedores brasileiros. "Todo empreendedor brasileiro é trabalhador, é insistente e não é agora que essa história será diferente. O empresário aprendeu a construir apesar deles", concluiu.
Referência a "A Revolta de Atlas"
Durante sua fala de aproximadamente 25 minutos, Tallis Gomes leu na íntegra o artigo "Os John Galts do Brasil", publicado pelo Brazil Journal. O texto faz referência a John Galt, personagem do romance "A Revolta de Atlas", de Ayn Rand, obra associada à defesa do individualismo e do capitalismo laissez-faire, com mínima intervenção estatal.
No romance, Galt se rebela contra uma sociedade que, em sua visão, penaliza os indivíduos produtivos. A obra e sua simbologia, como a figura do titã Atlas, foram associadas ao universo do evento e à resistência à interferência do Estado sobre quem cria riqueza. O artigo compara o personagem mitológico a diversos trabalhadores que enfrentam dificuldades com tributação e burocracia.
Apesar das críticas ao modelo econômico e político, o artigo também alertou para a polarização, afirmando que "o adversário é o poder, não o vizinho". O texto sugere que o debate perde força quando a defesa da liberdade é substituída pelo desprezo a quem pensa diferente.
Matérias originais
- Tallis Gomes critica impostos e diz que empreendedor vai vencer ‘apesar deles’ · moneytimes.com.br



