SUS incorpora nove novos medicamentos oncológicos para tratamento de câncer no Brasil

Destaques
- •Ministério da Saúde distribui nove novos medicamentos de alta tecnologia para tratamento de câncer na rede pública.
- •Terapias incluem tratamentos para câncer de mama, próstata, pulmão, renal e linfomas, com expectativa de beneficiar mais de 116 mil pacientes.
- •A ampliação do acesso a tratamentos oncológicos no SUS é um avanço, mas garantir o atendimento efetivo e o acompanhamento dos pacientes permanece um desafio.
O Ministério da Saúde anunciou a incorporação de nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer na rede pública de saúde em todo o Brasil. A medida visa ampliar o acesso a terapias oncológicas e contempla 13 indicações clínicas para tipos de câncer de alta incidência, como mama, próstata e pulmão, além de linfomas. A expectativa inicial é beneficiar mais de 116 mil pacientes em 20 unidades de saúde de 17 estados, com a distribuição prevista para alcançar toda a rede pública até o fim do ano.
Novos medicamentos e suas indicações
Entre os medicamentos incorporados estão o abemaciclibe, usado no tratamento do câncer de mama, que age inibindo proteínas responsáveis pela multiplicação de células tumorais. Administrado por via oral, requer acompanhamento médico devido a possíveis efeitos colaterais como diarreia e cansaço. O pazopanibe, uma terapia-alvo para câncer renal, bloqueia o crescimento tumoral e a formação de novos vasos sanguíneos, exigindo monitoramento da pressão arterial e função hepática.
O trastuzumabe, já utilizado para tumores de mama, agora também contempla casos específicos de câncer de estômago e da junção esofagogástrica, quando há amplificação da proteína HER2. Outros medicamentos incluídos são o acetato de lanreotida para tumores neuroendócrinos, rituximabe para leucemia e linfomas, abiraterona para câncer de próstata resistente ou sensível à castração, gefitinibe para câncer de pulmão de células não pequenas com alteração no gene EGFR, TSH recombinante para câncer diferenciado de tireoide, e sunitinibe para câncer renal e tumores estromais gastrointestinais.
Avanços no tratamento e diagnóstico
A abiraterona atua na redução da produção de testosterona, auxiliando no controle do câncer de próstata, especialmente quando tratamentos hormonais convencionais falham. Para o gefitinibe, a indicação depende da identificação de alterações no gene EGFR no tumor pulmonar, confirmada por testes moleculares.
Além da oferta de medicamentos, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais para ampliar o rastreamento do câncer de intestino em pessoas de 50 a 75 anos. O teste detecta pequenas quantidades de sangue nas fezes, indicando a necessidade de investigação complementar, como a colonoscopia. Outras iniciativas incluem o rastreamento de câncer de colo de útero com testes de DNA e o custeio de cirurgias oncológicas videotorácicas.
Desafios na efetivação do acesso
A oncologista Maria Ignez Braghiroli destacou a importância desses avanços, explicando o mecanismo de ação de alguns medicamentos e os cuidados necessários. Ela ressaltou que, apesar da incorporação de novas terapias e exames, garantir que os pacientes tenham acesso efetivo aos recursos e mantenham o acompanhamento contínuo ao longo do tratamento continua sendo um dos principais desafios para o SUS.
Matérias originais
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