SUS adota teste molecular de HPV e detecta 9.904 casos de alto risco

Destaques
- •Exame DNA-HPV, indicado pela OMS, substitui o Papanicolau no SUS e detecta o vírus antes de lesões pré-cancerígenas.
- •Estudo da Unicamp aponta que o novo teste antecipou em 10 anos a detecção do câncer de colo do útero em comparação com o Papanicolau.
- •Brasil registra quase 20 mil casos anuais de câncer de colo do útero, mas a detecção precoce garante mais de 95% de cura.
Desde o início de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer o exame molecular de rastreio de HPV (DNA-HPV) para mulheres, substituindo o tradicional teste Papanicolau. A iniciativa já identificou 9.904 testes com resultado positivo para HPV de alto risco, subtipo viral associado ao desenvolvimento de câncer do colo do útero. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica o exame DNA-HPV desde 2013, e sua principal vantagem é a capacidade de detectar a presença do vírus antes mesmo que ele evolua para uma lesão pré-cancerígena, facilitando a prevenção e a identificação precoce da doença.
Detecção antecipada e impacto nos casos de câncer
Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com mulheres atendidas em Indaiatuba (SP) demonstrou que o uso do exame DNA-HPV antecipou em uma década a detecção do câncer de colo do útero. Enquanto a média de idade de rastreamento pelo Papanicolau era de 49,3 anos, com o teste molecular a média de detecção caiu para 39,6 anos. Essa antecipação é crucial, pois o câncer do colo do útero é o terceiro mais comum em mulheres no Brasil, com previsão de cerca de 19,3 mil novos casos anuais até 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). No entanto, quando detectado precocemente, as chances de cura superam os 95%.
Expansão da cobertura e a importância da vacinação
Atualmente, 26 estados brasileiros já adotam o novo protocolo de rastreamento. O Ministério da Saúde informou que o Espírito Santo, último estado a realizar a transição, deve receber os novos testes ainda este ano. Paralelamente à implementação do exame, a vacinação contra o HPV continua sendo uma estratégia fundamental. A vacina, disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos em dose única, visa imunizar antes do primeiro contato com o vírus. Estudos já mostram resultados expressivos, como uma queda de 58% nos casos de câncer de colo do útero e 67% nas lesões pré-cancerosas em gerações vacinadas, segundo pesquisa da Fiocruz Bahia.
Desafios e a necessidade de rastreamento contínuo
Apesar dos avanços, a cobertura vacinal ainda está abaixo dos 90% necessários para a eliminação do câncer do colo do útero, segundo a OMS. A principal barreira apontada é a desinformação e o preconceito em relação à vacinação de crianças e adolescentes. Especialistas reforçam que a vacina é preventiva e não substitui o rastreamento. Mesmo quem foi vacinado precisa realizar o teste de DNA-HPV ou Papanicolau, pois a vacina não cobre todos os tipos do vírus. A prevenção é considerada multimodal, envolvendo também o uso de preservativos e a atenção a outros vírus, como o da hepatite B, que também pode levar ao câncer de fígado e possui vacina gratuita no SUS.
Matérias originais
- SUS detecta quase 10 mil testes positivos para HPV de alto risco · agenciabrasil.ebc.com.br
- Vacinas oferecidas pelo SUS ajudam a prevenir diferentes tipos de câncer · drauziovarella.uol.com.br


