Super El Niño: calor intenso pode agravar problemas de pele

Destaques
- •Aquecimento do Super El Niño previsto para o fim de 2026 e início de 2027 pode intensificar problemas de pele.
- •Calor e suor podem agravar condições como brotoeja, intertrigo, rosácea e dermatite atópica.
- •Proteção solar, roupas adequadas e avaliação dermatológica são essenciais para prevenir e tratar.
O ápice de aquecimento do Super El Niño, previsto para ocorrer entre o final de 2026 e o início de 2027, traz consigo a expectativa de calor intenso que pode afetar diretamente a saúde da pele. Responsável pela proteção do organismo e pelo controle térmico, a pele pode sofrer com períodos prolongados de altas temperaturas, exigindo cuidados redobrados.
Com o aumento da temperatura, o corpo eleva a produção de suor para dissipar o calor. Essa transpiração intensa, combinada com umidade, atrito e o uso prolongado de roupas molhadas, pode criar um ambiente propício para irritações e infecções cutâneas. Além disso, o calor e o suor podem desencadear ou intensificar sintomas de doenças dermatológicas já existentes, tornando crucial o reconhecimento dos sinais e a adoção de medidas preventivas.
Doenças dermatológicas agravadas pelo calor
A brotoeja, ou miliária, surge com a obstrução dos ductos das glândulas sudoríparas, impedindo a saída do suor e causando pequenas lesões que podem ser acompanhadas de coceira ou ardência. Outra condição comum é a intertrigo, uma irritação que se manifesta em áreas de contato entre superfícies da pele, como axilas, virilhas e dobras abdominais, onde a umidade e o atrito favorecem o surgimento de vermelhidão e desconforto.
Ambientes quentes e úmidos também podem propiciar o desenvolvimento de infecções fúngicas, como a candidíase cutânea e diversas dermatofitoses, popularmente conhecidas como micoses. Pessoas com condições pré-existentes também são afetadas: indivíduos com rosácea podem notar um aumento na vermelhidão e episódios de rubor, enquanto aqueles com dermatite atópica podem sentir ardência e coceira intensificadas pelo suor, podendo levar ao agravamento dos sintomas.
Cuidados e prevenção contra o calor
A sensação de prurido, ou coceira, pode ser piorada pelo calor em diversas condições cutâneas. A acne também requer atenção individualizada, pois a transpiração, oleosidade, uso de produtos inadequados e oclusão da pele podem agravar as lesões. O cuidado deve sempre considerar o diagnóstico específico de cada paciente, seus gatilhos e tratamentos em curso.
A exposição à radiação solar (raios UV) é outro fator de risco significativo, podendo causar queimaduras, envelhecimento precoce e aumentar o risco de câncer de pele. Por isso, a proteção solar com produtos de amplo espectro e FPS 30 ou superior, com reaplicação frequente, deve ser prioridade. O uso de roupas com proteção UV, chapéus, óculos de sol e a busca por sombra também são medidas importantes para reduzir a exposição solar, especialmente nos horários de maior intensidade.
Recomendações práticas para a pele
Entre os cuidados recomendados para proteger a pele durante ondas de calor estão o uso de produtos de limpeza suaves, a secagem cuidadosa das dobras da pele e a troca de roupas úmidas após a transpiração. A escolha de tecidos leves e respiráveis ajuda a reduzir o abafamento, e hidratantes adequados ao tipo de pele auxiliam na preservação da barreira cutânea.
Em casos de lesões persistentes, coceira intensa, dor, secreção ou piora progressiva, a avaliação dermatológica profissional é fundamental para um diagnóstico correto e tratamento adequado. As informações foram fornecidas pelo dermatologista Daniel Cassiano, diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo.
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