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Startup britânica desenvolve 'esquadrão' de satélites para defesa orbital

04 de novembro de 2026
Startup britânica desenvolve 'esquadrão' de satélites para defesa orbital

Destaques

  • •A Shield Space planeja usar enxames de pequenos satélites autônomos para proteger equipamentos ocidentais em órbita.
  • •A iniciativa, inspirada em táticas de drones, visa defender satélites contra ameaças com lasers, micro-ondas e interceptação física.
  • •O primeiro teste, Projeto Broadsword, está previsto para o final de 2027, com demonstrações de autonomia e aproximação entre espaçonaves.

Uma startup britânica, a Shield Space, está desenvolvendo um ambicioso projeto para transformar pequenos satélites em um "esquadrão de defesa orbital". A proposta consiste em lançar enxames de espaçonaves autônomas, conhecidas como CubeSats, capazes de proteger satélites ocidentais contra potenciais ameaças. A iniciativa busca adaptar conceitos de guerra com drones, observados em conflitos recentes, para o ambiente espacial, utilizando tecnologias como lasers, micro-ondas e interceptação física.

O interesse por esse tipo de tecnologia de defesa espacial foi impulsionado por um incidente em maio de 2026, quando quatro satélites militares russos se aproximaram de um satélite comercial de radar da Ucrânia. Essa manobra foi vista como uma demonstração de força e um risco potencial à segurança de equipamentos em órbita, levando ao desenvolvimento de sistemas de proteção.

Como funcionaria o enxame de satélites

A Shield Space planeja utilizar pequenas espaçonaves autônomas, de custo relativamente baixo, que seriam liberadas em órbita por uma nave-mãe. Esses satélites atuariam como interceptadores para proteger equipamentos estratégicos, empregando recursos como lasers, micro-ondas e técnicas de interceptação à distância. Um dos principais objetivos é que os equipamentos consigam operar de forma autônoma, mesmo sem comunicação constante com os controladores em Terra.

O plano prevê a implantação de até 100 CubeSats para proteção e defesa por menos de £ 100 milhões (aproximadamente R$ 700 milhões), um custo comparado ao de um único satélite de gerações anteriores. A proposta ainda está em fase de desenvolvimento, com a empresa planejando uma série de demonstrações para testar a capacidade de manobra e autonomia das espaçonaves antes de chegar a um sistema operacional.

Primeiro teste previsto para 2027

O primeiro passo concreto será o Projeto Broadsword, com lançamento previsto para o quarto trimestre de 2027, em um voo compartilhado da SpaceX. O experimento envolverá dois CubeSats: um de tamanho 8U e outro de 3U, que servirá como alvo. O objetivo é demonstrar a capacidade de aproximar as duas espaçonaves de uma distância inicial de 100 quilômetros para apenas 100 metros.

O teste também avaliará quatro estágios de autonomia, progredindo de controle humano para um funcionamento descrito como "aproximadamente totalmente autônomo". Para referência, cada unidade (U) de um CubeSat corresponde a um cubo de dez centímetros de lado. A NASA já demonstrou a cooperação autônoma de pequenos satélites com o projeto civil Starling em 2023, mas a Shield Space visa aplicar esse princípio a operações militares, que demandam decisões mais complexas e respostas a ameaças.

Desafios e próximos passos

Apesar das ambições, transformar a proposta em um sistema de defesa funcional apresenta desafios significativos. Os pequenos satélites precisam acomodar sistemas de propulsão, sensores, computação para inteligência artificial (IA) e equipamentos de defesa em um espaço limitado. A própria Shield Space reconhece dificuldades relacionadas a tamanho, peso e consumo de energia.

Outro obstáculo é o treinamento dos sistemas autônomos, pois dados reais de operações espaciais são escassos e simulações podem não reproduzir todas as condições necessárias. Há também a preocupação com as regras de engajamento para sistemas autônomos em cenários militares. Especialistas como o professor Bleddyn Bowen demonstram cautela, comparando a iniciativa a programas da Guerra Fria e ressaltando a necessidade de anos de desenvolvimento e testes, especialmente para avaliar armas cinéticas sem gerar detritos orbitais.

A Shield Space já planeja etapas futuras, incluindo demonstrações com CubeSats maiores e naves-mãe, com o objetivo de criar uma rede capaz de proteger regiões inteiras do espaço orbital. A visão de longo prazo é comparada a grupos de porta-aviões em operações militares. No entanto, a proposta ainda está longe de ser uma capacidade comprovada, e os próximos testes serão cruciais para demonstrar a viabilidade e segurança dos enxames de satélites autônomos.

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