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Starlink descarta ser operadora móvel autônoma no Brasil

29 de outubro de 2026
Starlink descarta ser operadora móvel autônoma no Brasil

Destaques

  • •Starlink, de Elon Musk, afirma que não pretende atuar como operadora móvel autônoma no Brasil, focando em parcerias com empresas locais.
  • •A empresa vê potencial "enorme" no mercado brasileiro, onde já possui cerca de 1 milhão de clientes, e lança serviço de internet via satélite direto no celular em parceria com a Vivo.
  • •A estratégia no Brasil difere da adotada nos Estados Unidos, onde a Starlink busca licenças e infraestrutura para operar de forma independente.

A Starlink, empresa de internet via satélite do empresário Elon Musk, descartou a possibilidade de se tornar uma operadora móvel autônoma no Brasil, afirmando que seu plano é atuar como parceira das operadoras locais para complementar a infraestrutura existente. A declaração visa dissipar preocupações que vinham impactando as ações de empresas de telecomunicações listadas na B3.

Em sua primeira entrevista à imprensa brasileira, a diretora de política regulatória de satélites da Starlink, Sharon Zhang, explicou que o modelo de atuação no Brasil é distinto do que a empresa prepara para os Estados Unidos. "Planejamos ser parceiros. Não temos planos de fazer algo ‘standalone’ (autônomo) no Brasil", afirmou Zhang ao Estadão/Broadcast. "No contexto brasileiro, nosso plano atual e compromisso de longo prazo é seguir trabalhando com operadoras móveis para amplificar as redes móveis. É uma história diferente dos EUA", completou.

Parceria com a Vivo e expansão no Brasil

O Brasil já se consolida como o segundo maior mercado para a Starlink globalmente, com cerca de 1 milhão de clientes, o que representa 10% da base mundial. O crescimento inicial foi impulsionado pela oferta de banda larga fixa em regiões remotas e mal atendidas pela cobertura tradicional.

Recentemente, a empresa lançou a tecnologia direct to device (D2D), que permite a conexão de internet via satélite diretamente em celulares. Para isso, firmou uma parceria com a Vivo, que oferecerá o serviço como opção de roaming. Nos primeiros testes, 7 milhões de pessoas se conectaram. "Isso é enorme", ressaltou Zhang, destacando o potencial de atingir um grande número de brasileiros que enfrentam falhas na cobertura tradicional.

A executiva informou que o acordo com a Vivo não é exclusivo e que a Starlink está aberta a parcerias com outras operadoras, como Claro e TIM, especialmente após a autorização da Anatel para o uso da tecnologia D2D na faixa de 2 GHz.

Tecnologia D2D e planos futuros

Atualmente, a conexão D2D suporta funções básicas como mensagens e chamadas de voz. No entanto, a expectativa é que, com novas gerações de satélites e aparelhos compatíveis a partir de 2027, a tecnologia alcance velocidades comparáveis ao 4G/5G, viabilizando novas aplicações, incluindo inteligência artificial e videochamadas mais estáveis, mesmo em áreas sem cobertura terrestre.

"No futuro, nosso objetivo é entregar qualidade maior que a de hoje, com conectividade ubíqua, onde quer que você esteja", disse Zhang. Ela mencionou a possibilidade de oferecer capacidades de banda larga 5G e melhorar a densidade de redes terrestres.

Diferenças entre Brasil e EUA

Nos Estados Unidos, a Starlink está adquirindo licenças de espectro (800 MHz) e negociando a instalação de antenas em torres para atuar como operadora móvel autônoma, competindo diretamente com gigantes como Verizon, AT&T e T-Mobile. Esse movimento envolve um investimento estimado em US$ 8 bilhões (R$ 44 bilhões).

"Um modelo ‘tipo EUA’ é uma abordagem muito diferente da que estamos tomando aqui", reiterou Zhang. Ela explicou que o espectro adquirido nos EUA permite a penetração do sinal em ambientes fechados, algo que a faixa de 2 GHz utilizada no Brasil não oferece de forma tão eficiente. Além disso, a dinâmica do mercado americano, com maior faturamento por cliente e mais assinantes fora dos grandes centros, torna o modelo autônomo mais viável.

"No Brasil, o espectro licenciado pela Anatel é espectro satelital, regido por regras internacionais. Não é bom para penetração em prédios, é destinado à conectividade entre satélite e telefone. É diferente de espectro terrestre para torres", esclareceu.

Segurança e soberania

Em relação a preocupações sobre soberania nacional e potenciais interrupções do serviço, Zhang afirmou que a Starlink opera de forma semelhante a outras empresas de tecnologia, utilizando infraestrutura de solo local e sendo regulada no Brasil como entidade local. "Não tivemos casos de ‘desligar’ o serviço", garantiu, classificando tais debates como "tática de alarmismo". A empresa atua em cerca de 174 países com banda larga e em aproximadamente 40 com internet móvel.

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