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Snap fecha acordo com adolescentes em processo sobre saúde mental

02 de novembro de 2026
Snap fecha acordo com adolescentes em processo sobre saúde mental

Destaques

  • •Snapchat chega a acordo com dois adolescentes que acusavam a plataforma de estimular uso compulsivo e prejudicar saúde mental.
  • •O caso era um teste para milhares de processos contra empresas de redes sociais nos EUA, que alegam design viciante.
  • •Acordo com a Snap encerra a participação da empresa em ações judiciais iniciadas por esses jovens, que já haviam negociado com Meta, TikTok e YouTube.

A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, anunciou nesta segunda-feira (2) um acordo com dois adolescentes que a acusavam de projetar suas plataformas para estimular o uso compulsivo e, consequentemente, contribuir para problemas de saúde mental. O entendimento ocorreu durante o julgamento que acontecia em um tribunal estadual de Los Angeles, na Califórnia (EUA), e que poderia ter sido o primeiro em que a companhia enfrentaria um júri neste tipo de processo.

Os jovens alegam que recursos como a reprodução automática de vídeos e a rolagem infinita foram intencionalmente desenvolvidos para incentivar o uso excessivo das redes sociais desde a infância. Segundo as acusações, esse comportamento teria levado ao desenvolvimento de quadros de depressão, ansiedade e transtornos alimentares. A seleção do júri já havia começado na semana anterior, e o CEO da Snap, Evan Spiegel, era esperado para depor.

O que dizem os envolvidos

Com o novo acordo, a Snap se junta a outras gigantes da tecnologia que já haviam chegado a entendimentos com os mesmos adolescentes. A Meta (controladora do Facebook e Instagram), o TikTok e o YouTube já haviam firmado acordos anteriores com os jovens envolvidos no processo. Em comunicado, um porta-voz da Snap afirmou que a empresa desenvolveu mecanismos de proteção, lançou tutoriais de segurança e estabeleceu parcerias com especialistas. A companhia reiterou seu compromisso em fortalecer a segurança, a privacidade e o bem-estar de sua comunidade.

As empresas envolvidas rejeitam as alegações de que seus serviços foram projetados para viciar crianças e adolescentes, defendendo que adotaram medidas para tornar suas plataformas ambientes seguros para o público jovem.

O caso e seus desdobramentos

O julgamento selecionado era um processo de referência (bellwether trial), escolhido entre milhares de ações judiciais pendentes nos Estados Unidos. O objetivo era testar os argumentos apresentados contra as empresas e, potencialmente, influenciar a resolução de outras disputas semelhantes. O próximo conjunto de julgamentos desse tipo está previsto para março.

Esta disputa faz parte de uma onda de processos movidos por indivíduos, distritos escolares e governos estaduais, que alegam que as empresas de redes sociais buscaram deliberadamente estimular o uso compulsivo por crianças, contribuindo para uma crise de saúde mental juvenil. Em março, a Meta e o YouTube foram considerados negligentes em um primeiro julgamento, resultando em indenizações de US$ 6 milhões (aproximadamente R$ 34,4 milhões) a uma jovem. Em agosto, a Meta firmou acordos que poderiam chegar a US$ 18 bilhões (aproximadamente R$ 103,3 bilhões) com quase todos os estados e territórios dos EUA, além de concordar em implementar mudanças no Instagram e Facebook para adolescentes. Parte desse montante estava condicionada a acordos semelhantes com Snap, TikTok e YouTube.

O que diz a pesquisa

Estudos recentes indicam uma forte associação entre o uso excessivo de redes sociais e impactos negativos na saúde mental de adolescentes. Uma revisão narrativa da literatura, publicada na Revista Master em 2026, analisou oito estudos e identificou que o uso acima de 6 horas por dia está ligado a sintomas como ansiedade, depressão, distúrbios do sono, baixa autoestima e dores físicas, além de dependência tecnológica e violência simbólica. Fatores como atenção plena e capital social foram apontados como protetores.

Outra revisão integrativa, publicada na Revista JRG de Estudos Acadêmicos em 2026, analisou 22 estudos e caracterizou o uso problemático como uma dependência mediada pelo medo de estar perdendo algo (FoMO) e pela arquitetura algorítmica. O tempo de uso superior a duas horas diárias foi associado a aumento de ansiedade e depressão, com o sono atuando como mediador biológico. A exposição a conteúdos idealizados também impactou negativamente a autoestima e a imagem corporal, com riscos como cyberbullying.

Uma terceira revisão integrativa, da Revista Tópicos (2026), incluiu 14 estudos e também evidenciou associação entre uso intensivo ou problemático de redes sociais e sintomas de depressão, ansiedade, sofrimento psicológico e solidão. Contudo, os efeitos são mediados por fatores contextuais, como a qualidade das interações e o suporte parental. Efeitos positivos, como apoio social e pertencimento, foram identificados em adolescentes vulneráveis. Conclui-se que os impactos são complexos e multifatoriais, demandando educação digital crítica e fortalecimento de vínculos sociais.

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