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James Webb detecta coma de CO2 em cometa interestelar 3I/ATLAS

02 de novembro de 2026
James Webb detecta coma de CO2 em cometa interestelar 3I/ATLAS

Destaques

  • •Telescópio James Webb detecta coma de dióxido de carbono em cometa interestelar 3I/ATLAS.
  • •Composição do cometa sugere formação em regiões frias de outro sistema estelar, com grãos de gelo misturados a poeira.
  • •Estudo compara o objeto com cometas do Sistema Solar e objetos transnetunianos, oferecendo insights sobre a formação planetária.

O Telescópio Espacial James Webb, da NASA, detectou uma coma dominada por dióxido de carbono (CO2) ao redor do cometa interestelar 3I/ATLAS. O objeto, que entrou na vizinhança do Sistema Solar em julho de 2025, é o terceiro visitante interestelar confirmado e o segundo a apresentar uma coma clara. A análise espectroscópica revelou uma composição inesperada, com grãos de gelo misturados a poeira, diferindo dos cometas nativos do Sistema Solar.

A pesquisa, publicada na revista The Astrophysical Journal Letters, utilizou o espectrômetro NIRSpec do Webb para analisar o cometa a uma distância heliocêntrica de 3,32 unidades astronômicas (ua). Os dados indicaram uma coma rica em CO2, com uma proporção de CO2/H2O de 7,6 ± 0,3, significativamente maior do que a observada em cometas do Sistema Solar. Além do CO2 e H2O, foram detectados CO, gelo de água, poeira e uma possível presença de OCS.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na The Astrophysical Journal Letters, utilizando dados do James Webb Space Telescope (JWST), analisou o cometa interestelar 3I/ATLAS. A pesquisa revelou que a coma do cometa é dominada por CO2, com uma proporção de CO2/H2O de 7,6 ± 0,3, a mais alta já observada em um cometa e significativamente acima da tendência observada em cometas do Sistema Solar. As observações são compatíveis com um núcleo intrinsecamente rico em CO2, possivelmente indicando que o 3I/ATLAS contém gelos expostos a níveis de radiação mais altos ou que se formou perto da linha de gelo de CO2 em seu disco protoplanetário de origem. Uma baixa abundância de gás H2O na coma também pode ser implicada, possivelmente devido à inibição da penetração de calor no núcleo, o que suprimiria a taxa de sublimação de H2O em relação ao CO2 e CO.

Origem e idade do cometa

A equipe liderada por Silvia Protopapa, do Southwest Research Institute (SwRI), sugere que o 3I/ATLAS nasceu em um disco protoplanetário de gás e poeira ao redor de uma estrela jovem, há mais de 10 bilhões de anos. Essa idade supera o dobro da idade do Sistema Solar. Após sua formação, o corpo teria sido ejetado de seu sistema de origem por forças gravitacionais, vagando pelo espaço sideral por bilhões de anos antes de entrar em nossa vizinhança.

A análise da luz refletida pelos gases do cometa, ao se aproximar do Sol, forma uma coma e uma cauda. No entanto, o espectro luminoso do 3I/ATLAS apresentou apenas uma marca de absorção de gelo de água, em contraste com as três marcas bem definidas vistas em cometas do Sistema Solar. Simulações de computador indicaram que o objeto é composto por grãos microscópicos de gelo de água extremamente empoeirados, diferindo do gelo mais puro encontrado em cometas locais.

Semelhanças e hipóteses sobre a formação

A proporção de poeira misturada aos grãos gelados é vista como um registro fóssil das condições ambientais no momento do nascimento do corpo celeste. O estudo do 3I/ATLAS oferece uma oportunidade única para compreender a formação de outros sistemas planetários e compará-la com a origem da Terra.

Apesar das diferenças, o cometa interestelar apresenta semelhanças com os objetos transnetunianos do nosso Sistema Solar, que também possuem grande abundância de dióxido de carbono congelado e compostos orgânicos ricos em carbono. Essa composição reforça a hipótese de que o 3I/ATLAS se formou em regiões mais afastadas e frias de seu sistema original. Os pesquisadores levantam a possibilidade de que o cometa seja um fragmento resultante da colisão e destruição de um corpo gelado maior em seu sistema nativo, indicando que a formação de mundos pode seguir padrões semelhantes em toda a galáxia.

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