IA potencializa ciberataque a 25 servidores globais, incluindo órgãos dos EUA

Destaques
- •Campanha de ataques cibernéticos utiliza inteligência artificial para comprometer 25 servidores em diversos países.
- •Ataque explorou vulnerabilidades no PHP e Linux, atingindo sistemas ligados ao governo dos Estados Unidos.
- •Pesquisadores da Dream e Palo Alto Networks investigam a extensão dos danos e liberaram atualizações de segurança.
Uma campanha de ataques cibernéticos, potencializada por ferramentas de inteligência artificial (IA), conseguiu comprometer 25 servidores em diversos países, incluindo sistemas ligados ao governo dos Estados Unidos. A descoberta foi feita por pesquisadores da empresa de segurança Dream e divulgada em um relatório na segunda-feira (26).
A investida, ocorrida neste mês, explorou vulnerabilidades conhecidas no sistema PHP e no kernel do Linux para obter controle total de dispositivos de rede. Os criminosos utilizaram motores de busca de dispositivos conectados, como a plataforma FOFA, para mapear milhares de sistemas vulneráveis e, em seguida, selecionaram alvos estratégicos na América do Norte e Ásia para executar a invasão automatizada.
Vulnerabilidades exploradas e ferramentas de IA
O ataque baseou-se em duas brechas de segurança no código PHP (registradas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619), combinadas com uma falha de escalação de privilégios no Linux conhecida como Fragnesia. Essa combinação permitiu aos invasores contornar barreiras de proteção e executar comandos remotos sem a necessidade de credenciais de acesso.
A análise dos artefatos indicou o uso de ferramentas de assistência baseadas em IA, como o Claude Code e a plataforma de varredura Aiscan, integrada a modelos de linguagem de empresas como DeepSeek e Kimi. A sofisticação da infraestrutura utilizada foi destacada pela equipe de pesquisa da Dream, que apontou como um painel de gerenciamento exposto pode ser um caminho direto para a infraestrutura de identidade de uma organização.
Ataque a redes governamentais e resposta das empresas
Durante a operação, o grupo direcionou recursos para comprometer a infraestrutura interna de uma organização ligada ao governo norte-americano. Após superar o primeiro firewall, os atacantes mantiveram o monitoramento até burlar um segundo equipamento de borda. A partir daí, criaram um canal de comunicação secreto e criptografado para garantir a persistência da conexão, mesmo após reinícios do equipamento.
Com essa brecha, o grupo alcançou servidores internos de gerenciamento, roubou senhas e tentou listar todos os usuários da rede. A empresa Palo Alto Networks confirmou que os dispositivos afetados pertencem à linha de firewalls PAN-OS. A companhia colaborou com os pesquisadores da Dream e liberou atualizações de segurança para corrigir as falhas.
Desafios na defesa e recomendações
Analistas da empresa Flare avaliaram que o aproveitamento dessa vulnerabilidade exige um estudo profundo dos sistemas, o que normalmente limita ataques em larga escala. No entanto, a situação muda quando equipamentos de rede e corporativos estão envolvidos. A complexidade do ataque, que envolveu a exploração de falhas no PHP e Linux para obter acesso root e, posteriormente, ao Active Directory, representa um desafio significativo para a defesa digital.
Diante do risco, equipes de segurança recomendam a aplicação imediata de patches de atualização fornecidos pelos fabricantes e a remoção de interfaces administrativas de gerenciamento do acesso público direto à internet. A Dream ainda investiga se dados sensíveis foram extraídos ou se contas de acesso persistente foram criadas na rede comprometida.
Matérias originais
- Ataques com PHP2Shell forçam ordem de correção urgente nos EUA · estadao.com.br



