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Série "Muito Além da Moda" celebra 30 anos da São Paulo Fashion Week

05 de novembro de 2026
Série "Muito Além da Moda" celebra 30 anos da São Paulo Fashion Week

Destaques

  • •A série documental "Muito Além da Moda" estreia seu último episódio, destacando a trajetória de Paulo Borges e a evolução da São Paulo Fashion Week.
  • •O documentário aborda como a SPFW se tornou uma plataforma crucial para a moda brasileira, impulsionando carreiras e a profissionalização de ofícios no setor.
  • •O futuro da semana de moda brasileira é discutido, com foco na necessidade de revisitar valores, aprofundar a observação crítica e valorizar a diversidade cultural do país.

A série documental "Muito Além da Moda", dirigida por Richard Luiz, chega ao seu terceiro e último episódio nesta quinta-feira (05.11), com exibição no canal E! e posterior inclusão no catálogo da plataforma de streaming Universal+. A produção celebra os 30 anos da São Paulo Fashion Week (SPFW), idealizada pelo empresário Paulo Borges, e sua importância incontornável para a moda brasileira.

Paulo Borges concebeu a SPFW com a visão de criar um evento coletivo que impulsionasse a indústria da moda no Brasil. Ele relembra suas viagens internacionais na juventude, onde observava a logística e a criatividade por trás dos desfiles, e percebeu a necessidade de uma semana de moda unificada em São Paulo. "Sempre entendi a necessidade de ter uma semana de moda. Eu viajava e, quando voltava, pensava: o que temos em São Paulo?", conta.

A construção de um coletivo na moda

Na época em que Borges iniciou sua carreira, há quase quatro décadas, o setor de moda no Brasil era marcado pelo protagonismo individual. "Em um momento do documentário, me defino como costureiro de pessoas. Acho que foi isso que eu fiz o tempo todo", afirma. Ele acreditava na força do coletivo para somar forças e superar dificuldades. A criação de um calendário de moda, segundo a consultora Gloria Kalil, extrapolou o benefício de concentrar lançamentos, auxiliando a indústria e o varejo a se organizarem e repensarem a cadeia produtiva.

A SPFW também foi fundamental para a profissionalização de diversas carreiras no setor, como stylists, beauty artists, iluminadores de passarela, coordenadores de camarim e, notavelmente, a carreira de modelo. Agências e critérios de cachê, inexistentes ou incipientes, foram desenvolvidos, impulsionando modelos brasileiras para o mercado internacional, como Gisele Bündchen, Carol Trentini e Isabeli Fontana, que integram o casting da série.

Um espelho das transformações culturais

O diretor Richard Luiz destaca o papel de Paulo Borges em reunir talentos e criar uma plataforma que deu visibilidade e consistência à moda brasileira. "Paulo teve um papel importante ao reunir talentos e criar uma plataforma que deu visibilidade e consistência à moda brasileira. Ter acompanhado isso desde 1997 me ajudou a construir uma narrativa que relaciona sua história com as mudanças culturais e profissionais do setor", explica.

A série também aborda a singularidade do Brasil em relação a outros polos da moda mundial. Borges ressalta que o formato da SPFW não seguiu um modelo estrangeiro, pois o Brasil possui características sociais, culturais, econômicas e históricas únicas. "E nem daria certo, porque o Brasil não é a França, o Brasil não é a Inglaterra, o Brasil não é a Itália, o Brasil não é os Estados Unidos", afirma. Ele critica a ideia de que o bom é o que vem de fora e defende um modelo de semana de moda que atendesse às necessidades brasileiras, sem submissão a influências externas.

O futuro da moda brasileira

O projeto de Paulo Borges sempre teve uma visão de longo prazo, refletida na crescente diversidade do line-up de marcas, incluindo criadores de diferentes regiões do país. "É impossível personalizar um país que é tão grande, tão múltiplo, de tantas diferenças culturais e sociais, em uma única forma", reflete. Ele questiona a dificuldade em definir a moda brasileira com uma única palavra, contrastando com as definições atribuídas à moda francesa, italiana, inglesa e americana.

Para o futuro, Borges defende o resgate dos princípios, a inversão da lógica da velocidade e o aprofundamento da observação crítica. Ele acredita que o mundo está em um momento de revisão de valores, que deve se espelhar na moda. "A rede social, por exemplo, trabalha num processo extremamente descartável: aquilo que eu falo, aquilo que eu vejo, aquilo que eu posto, aquilo que eu penso, é tudo descartável. Dois dias depois, ninguém mais está falando nisso. A moda não pode ser assim. A roupa pode. Mas a moda não", conclui.

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