Bia Yunes Guarita impulsiona Pompidou no Brasil com foco em arte latino-americana

Destaques
- •A colecionadora Bia Yunes Guarita é uma das principais articuladoras para a inauguração do primeiro Centre Pompidou das Américas em Foz do Iguaçu, previsto para 2028.
- •Guarita atua no conselho de aquisições do Pompidou há seis anos, defendendo a inclusão de artistas latino-americanos e a criação de um curador dedicado à região.
- •O novo museu, que custará R$ 183 milhões por pelo menos oito anos, visa expandir o acervo e a influência do Pompidou com foco em temas globais e locais, como povos originários e ecologia.
A colecionadora paulistana Bia Yunes Guarita é uma das figuras centrais por trás da futura inauguração do Centre Pompidou em Foz do Iguaçu, Paraná, prevista para dezembro de 2028. O projeto, que marca a primeira filial do renomado museu francês nas Américas, tem em Guarita uma de suas principais madrinhas e articuladoras, com o objetivo de trazer uma nova perspectiva para o acervo e a curadoria da instituição.
A atuação de Guarita no Pompidou não é recente. Há seis anos, ela integra o conselho de administração dos Amis du Centre Pompidou, a associação de mecenas responsável pelas aquisições do museu. Como a única latino-americana em um grupo majoritariamente europeu, ela identificou a necessidade de uma representação curatorial mais robusta para a América Latina. Em 2020, propôs a criação de um cargo de curador dedicado à região, argumentando que um olhar local seria essencial para identificar e valorizar artistas menos conhecidos internacionalmente, mas com grande relevância regional.
O impacto na curadoria e no acervo
A visão de Guarita já se reflete no acervo do Pompidou. Desde 2021, mais de 300 obras de aproximadamente 150 artistas latino-americanos foram incorporadas, seja por meio de compras ou doações. Nomes como Rosana Paulino, Claudia Andujar, Leda Catunda, Emanoel Araújo, o artista yanomami Sheroanawe Hakihiiwe e a chilena Seba Calfuqueo passaram a integrar o acervo. Recentemente, uma obra de Tomie Ohtake, artista que o museu cobiçava há mais de uma década, também foi adquirida, destacando sua relevância universal e sua conexão com grandes nomes da abstração.
Guarita enfatiza que o critério de seleção para o Pompidou, incluindo sua filial paranaense, vai além de vínculos geográficos ou históricos com a França. O que pesa é a capacidade da obra de dialogar com temas contemporâneos, como povos originários, diásporas e ecologia. "Não é a América Latina. É do que a América Latina é feita", explica, ressaltando que o museu busca conexões globais em suas exposições e aquisições.
O projeto em Foz do Iguaçu
A ideia de um Pompidou no Brasil é discutida há mais de 12 anos. O projeto arquitetônico, assinado pelo paraguaio Solano Benítez, utiliza materiais locais como a terra vermelha da região e prioriza a ventilação natural e a inércia térmica. O museu contará com galerias, cineteatro, observatório e um núcleo de pesquisa, além de uma praça aberta.
A parceria entre o governo paranaense e o Pompidou foi formalizada em maio de 2025, com um contrato de licenciamento da marca, consultoria e acesso ao acervo por pelo menos oito anos, no valor de R$ 183 milhões. O nome oficial será Museu Internacional de Arte – Centre Pompidou Paraná. A equipe curatorial para a unidade brasileira ainda está em formação, e Guarita defende a inclusão de curadores argentinos e paraguaios para garantir a autoridade local na seleção de artistas.
Embora tenha recusado um convite para integrar o núcleo curatorial paranaense, focando em sua atuação internacional, Guarita promete continuar conectando artistas e patronos. O Estúdio Campana, por exemplo, que já doou cerca de 70 obras ao Pompidou, considera levar parte de seu acervo para Foz do Iguaçu. A inauguração em 2028 promete ser um marco cultural na tríplice fronteira.



