Senado preserva 200 anos de história em acervo e o transforma em reportagens

Destaques
- •O Arquivo do Senado guarda cerca de 43 mil caixas de documentos históricos, desde 1788.
- •O projeto Arquivo S transforma registros em reportagens acessíveis sobre o papel do Parlamento.
- •O trabalho dos arquivistas é fundamental para a organização, preservação e acesso à memória institucional.
O Dia do Arquivista, celebrado em 20 de outubro, destaca a importância dos profissionais que organizam, preservam e disponibilizam documentos. No Senado Federal, o Arquivo da Casa conserva registros que abrangem os 200 anos de atuação da instituição. Este acervo é a base para projetos como o Arquivo S, que utiliza o conteúdo dos documentos para criar reportagens acessíveis sobre momentos históricos do Brasil e o papel do Parlamento.
O Arquivo S é uma iniciativa multimídia mensal da Agência Senado em parceria com o Arquivo. As reportagens especiais são publicadas no portal Senado Notícias e resgatam fatos marcantes da história do país a partir de registros, projetos de lei e discursos de parlamentares. Para realizar esse trabalho, é necessário interpretar a linguagem e o contexto dos documentos, compreendendo tanto as informações explícitas quanto os aspectos implícitos. Historiadores especializados auxiliam nessa tradução e interpretação, explicando o contexto e as intenções dos envolvidos.
Memórias preservadas e acessíveis
A série Arquivo S teve início em 2014, com um novo episódio publicado a cada mês. Ao final de cada ano, os textos são compilados em volumes da coleção Arquivo S – O Senado na História do Brasil. O conteúdo também ganhou versões em áudio, em parceria com a Rádio Senado, ampliando o acesso, inclusive para pessoas com deficiência visual.
Um exemplo de história recuperada é a do senador do Império Bernardo Pereira de Vasconcelos. Por volta de 1850, ele minimizou a chegada da febre amarela ao Brasil em um discurso, mas acabou morrendo da doença meses depois. Essa história, pouco conhecida e ausente em livros didáticos, foi tema de uma reportagem durante a pandemia de covid-19, comparando com as quarentenas e epidemias históricas.
A próxima semana marcará o lançamento da 11ª edição da coleção, reunindo reportagens do ano passado. A série já conta com dez volumes disponíveis em versões física e digital, que podem ser adquiridos a preço de custo na Livraria do Senado ou baixados gratuitamente pela Biblioteca do Senado.
O papel fundamental dos arquivistas
A produção do Arquivo S depende diretamente do trabalho dos arquivistas, responsáveis pela classificação, organização, avaliação e preservação dos documentos. Essas atividades garantem a autenticidade dos registros e as condições para que sejam consultados pelo público. O jornalista Ricardo Westin, responsável por parte das reportagens, ressalta a importância da parceria com esses profissionais na pesquisa e localização das fontes documentais.
"O papel dos arquivistas do Senado para o Arquivo S é importantíssimo. São eles que localizam os documentos originais para usarmos de fonte e reproduzirmos nas infomatérias. Sem o arquivo, esse trabalho não seria possível", afirma Westin.
O Arquivo do Senado abriga aproximadamente 43 mil caixas de documentos produzidos e recebidos nas atividades legislativas e administrativas da Casa. O acervo remonta a 1788 e inclui projetos de lei, atas, anais, discursos, fotografias e outros registros.
Cidadania, democracia e memória viva
Ao manter os registros organizados e acessíveis, os arquivistas não só preservam a memória institucional, mas também fomentam o desenvolvimento de pesquisas e a transparência das ações públicas. Os documentos servem como prova de decisões, tramitações e atos do poder público, contribuindo para a garantia de direitos.
A importância dessa função acompanha o Senado desde sua origem. O Arquivo foi criado na primeira sessão ordinária do Senado do Império, em 1826, com a atribuição de guardar a documentação produzida, sendo reconhecido desde então como sua “memória viva”.
A trajetória de Alonso Carneiro Pestana de Aguiar, nomeado amanuense do Senado em 1864 e que mais tarde assumiu a responsabilidade pelo arquivo, é um exemplo histórico da arquivologia. Ele foi o primeiro “official archivista” da então Câmara dos Senadores, e sua história, resgatada em pesquisa conjunta entre o Senado e a UnB, evidencia que os papéis guardam também as histórias das pessoas que fizeram parte da Casa.
Matérias originais
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